terça-feira, 16 de junho de 2009

O silêncio dos teus olhos - Hugo Girão

Título: O silêncio dos teus olhos
Autor: Hugo Girão
Edição: Janeiro 2009
Páginas:111
Editor: Fronteira do Caos
Preço: 11.90 euros

Dim: 15,00 cm x 22,00 cm

Sinopse:

O Silêncio dos Teus Olhos é uma homenagem às mulheres e um hino à vida.
Um livro intimista e de grande intensidade, em que o autor explora com elegância e mestria, sentimentos e sensações que nos encantam, comovem e fazem pensar.

O silêncio dos teus olhos... Os teus olhos, que eu tanto admirava, não falavam comigo….
– “Sabes... Tenho saudades daqueles tempos em que as palavras não precisavam de ensaio... Tanto tempo perdido em guerras que agora não importam absolutamente nada... Eu tinha tanta coisa para te dizer... Tu não me ouvias... Eu não te queria ouvir porque dizias tanta coisa da boca para fora... Quando falavas daquele modo abrias feridas incuráveis. Nenhum de nós tinha razão... Agora apenas oiço o barulho destas malditas máquinas que te mantêm com vida... Agora apenas consigo ouvir o som do teu silêncio...
Gostaria de ouvir a tua voz, nem que fosse para... Somente gostaria de voltar a ouvir a tua voz!”
Sentei-me ao teu lado e agarrei a tua mão à espera de uma resposta...

A minha opinião

Hugo Girão, com a sua escrita poética, transporta-nos para o dia-a-dia de um jovem casal, que já não encontra qualquer forma de comunicar. Até que um novo ser entra nas vidas deles: Fernando sabe que a sua esposa está grávida. No entanto, a gravidez não chega ao fim e novamente a vida deste jovem casal entra num drama, que muito a custo se vai desvanecendo. Até que Fernando sabe da notícia de que vai ser pai novamente. Com algumas complicações na gravidez, a sua esposa passa muito tempo no hospital. A angústia de a perder, o sentimento de impotência assola Fernando… Um livro dramático que vivencia as angústias e também a monotonia por que passam alguns casais.


Excerto:
"Até tu chegares não havia caminho, nem sequer havia uma pequena luz ao fundo do túnel".

Sobre o autor:
Iniciando a sua carreira há cerca de cinco anos, Hugo Girão tem três livros, os dois últimos editados pela Fronteira do Caos.
O autor poderá ainda ser acompnhado pelo blogue pessoal http://hugoagirao.blogspot.com

Obras:
- O rei e o homem que já tinha sido- Papiro Editora- 2006
- O Silêncio das Almas- Fronteira do Caos- em co-autoria com Isabel Fontes- 2007
- O Silêncio dos teus Olhos- Fronteira do Caos- 2009

Classificação: 2/5

quinta-feira, 11 de junho de 2009

De Alma e Coração - Maeve Binchy

Título: De Alma e Coração
Autor: Maeve Binchy
Editor: Bertrand Editora
Colecção: Grandes Romances
Edição/reimpressão: 2009
N.º de páginas: 368
P.V.P: 18,50 €

Sinopse:
Clara Casey tem muito com que se ocupar. A sua filha Adi vive numa eterna luta contra ou a favor de alguma causa: o ambiente, as baleias ou a criação de animais ao ar livre. Linda, a outra filha, experimenta uma sequência de relações falhadas. Além disso, Clara tem vindo a receber uma indesejada atenção por parte do ex-marido e confiaram-lhe a inglória tarefa de montar uma clínica com escassos fundos.Não tarda contudo a que aquela clínica se torne um elemento essencial da comunidade, trazendo para o local novas pessoas, com as suas histórias e os seus sonhos. Com a astúcia, o humor e a compaixão a que nos habituou, Maeve Binchy traz-nos uma história de família, amigos, médicos e pacientes - todos eles parte de uma comunidade num momento de transição.

A minha opinião:
A criação de uma clínica de cardiologia dá o mote para este livro de Maeve Binchy.
Clara Casey foi indicada como médica responsável para reformular um armazém abandonado pertencente ao Hospital de St. Brigid. Terá que enfrentar o administrador do hospital, Frank Ennis, que preferia ter vendido o espaço. No entanto, Clara Casey consegue criar um espaço agradável, acolhedor e, no decorrer das obras de reestruturação e requalificação do espaço, começa a contactar com aqueles que serão depois os funcionários da clínica. A primeira é Ania, uma rapariga polaca que fugia do seu passado e queria ganhar dinheiro para enviar para a mãe. Ania é considerada uma “mulher dos sete ofícios”, sempre disponível para ajudar e fazer qualquer coisa. Seguem-se as enfermeiras Bárbara e Fiona, o médico-cardiologista Declan Carrol, a assistente Hilary, o segurança Tim, e muitos outros que foram dando vida, ritmo e dinamismo a uma clínica que rapidamente se tornou conhecida e passou a ser muito frequentada. Ali, os pacientes e respectivas famílias, eram tratados de forma carinhosa, como se fossem membros da família.
Entretanto, Clara Casey tem que conciliar tudo o que se vai passando na clínica de cardiologia, com a gestão de sua casa. Compreender e aceitar os comportamentos distintos das suas duas filhas, revela-se tarefa árdua. A mais velha, Linda, vive subjugada às lutas e ideais defendidos pelo namorado. Por outro lado, Adi, não consegue encontrar um rumo para a sua vida e vive à custa da mãe. A juntar-se às filhas, tem que enfrentar o marido Alan aliás, ex-marido, muito embora ainda não lhe tivesse assinado os papéis do divórcio.
A forma como a autora vai inserindo novas personagens no enredo, sem que de alguma forma, abrande o ritmo da história, é simplesmente fabuloso. Sucedem-se assim, várias histórias e casos dentro do contexto principal da narrativa. A clínica de cardiologia acaba por se tornar o ponto de encontro de várias pessoas, onde estas narram, trocam e partilham experiências de vida.
O facto de surgirem muitas personagens ao longo da história, não a torna de todo maçadora, muito pelo contrário. Maeve Binchy consegue prender o leitor, descrevendo a Alma e o Coração de cada uma dessas personagens.
A cada novo caso, um novo final… uma nova surpresa no livro. Finais esses, realistas sem muitas “florzinhas” e adornos… e que nos fazem realmente pensar!

Classificação: 4/5

Um menino diferente - Maria João Lopo de Carvalho

Título: Um Menino Diferente
Autor: Maria João Lopo de Carvalho
Nº Págs.: 48
PVP: 10,50€

Diferente, igual a tantos outros

Ilustrado por J.C. Cintra Costa, Um Menino Diferente conta a história de Afonso, uma criança especial que, apesar de aprender a ler com facilidade e encontrar coisas, aparentemente, impossíveis de descobrir, se depara com sérias dificuldades na prática das mais simples acções como lavar a cabeça, utilizar o computador ou, lamentavelmente, mimar o seu cão.

A minha opinião
Um livro para crianças e adultos que ainda vêm na diferença uma coisa a evitar. Sabe-se que as crianças são muitos cruéis e que na escola, quando vêm alguém um bocadinho diferente a si, tendem a evitá-lo e a discriminá-lo. Mas também tudo parte da educação que se dá em casa. Porque um menino diferente é sempre um menino especial, que pode não saber fazer as coisas mais básicas e elementares, mas que sabe fazer outras melhores ainda do que qualquer outra criança. Afonso é um desses meninos. Nasceu diferente, diz a mãe. Nasceu especial, diz o pai. Um menino que conquistou todos os que o rodeavam com a sua facilidade para ler, e para encontrar coisas. De destacar as ilustrações fantásticas do livro, que ajudam a enriquecer ainda mais esta obra.

Os direitos de autor do livro de Maria João Lopo de Carvalho revertem para a associação de solidariedade social Ajuda de Berço.


Excerto
“ – Eu não te disse que o Afonso era diferente?! – afirmava a mãe, orgulhosa, durante a cerimónia. - Não – respondia o pai baixinho -, eu sempre te disse que o nosso filho não era diferente, era especial, um menino que nasce com os olhos nos dedos é um menino especial!”

Classificação: 5/5

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Não sei nada sobre o amor - Júlia Pinheiro

Título: Não sei nada sobre o amor

Autor: Júlia Pinheiro
Editora:
Esfera dos Livros
Data da primeira edição: Abril de 2009
N.º de páginas: 345
P.V.P.: 17 €

Sinopse:
Quando desceu ao riacho, mantilha na cabeça e coração aos pulos, Maria da Glória não sonhava que aquele encontro fortuito com o macho da aldeia iria marcar para sempre a sua vida. Esperava sair dali com namoro anunciado e quem sabe até com casamento marcado. Saiu à pressa, com a roupa ensanguentada, as tripas viradas e a semente de Maria da Purificação na barriga. Estava lançado o destino das mulheres desta família na qual as palavras prazer, carinho, paixão e amor permanecerão para sempre um mistério. A apresentadora de televisão Júlia Pinheiro estreia-se na escrita com uma história surpreendente e apaixonante sobre quatro mulheres que nada sabem sobre o amor. Ao longo destas páginas não suspiramos de amor, não nos empolgamos com casos de paixão arrebatadora, nem choramos com casamentos felizes. Somos levados numa saga familiar que se inicia nos anos 30 onde os sentimentos eram um infortúnio e o prazer uma pouca-vergonha. Não Sei Nada sobre o Amor traça o retrato de uma sociedade e de um país ao longo de quase 70 anos de história, através do olhar de Maria Glória, a avó, Maria da Purificação, a filha divorciada, Ana Clara, a neta mãe solteira, e Benedita, a bisneta, que, apesar de todas as expectativas, não se casa com nenhum príncipe encantado.

A minha opinião:
Maria da Glória, Maria da Purificação, Ana Clara e Benedita… Quatro gerações, quatro mulheres diferentes, quatro personalidades diferentes, quatro mentalidades distintas e fortemente vincadas pelas tradições, hábitos e costumes referentes à época em que viveram.
No seu primeiro romance (sim, porque parece que já está outro na forja), Júlia Pinheiro através de uma linguagem rica e rigorosa, descreve-nos as aventuras e desventuras vividas por estas quatro mulheres, nomeadamente, no campo amoroso. Por muitas experiências que tenham vivido em termos amorosos, nunca se mostram agradadas e consideram sempre que não foi aquilo que idealizaram para si. Mas essa indefinição e insatisfação afectiva surge mesmo no seio familiar, em que, entre si não conseguem transmitir o que sentem e demonstrar o mínimo de afecto e amor. Este aspecto verifica-se essencialmente na relação entre Maria da Glória e Maria da Purificação.
Maria da Glória sujeita-se a um casamento, arranjado por um padre, para esconder algo do seu passado. Teve a felicidade de encontrar em Ernesto um homem que sempre a amou e que assumiu a paternidade de Maria da Purificação, mesmo sabendo que ela não era sua filha. Mas ela nunca o conseguiu amar. De ideias tradicionalistas e bem vincadas, Maria da Glória revela-se uma crítica acérrima de todas as transformações que a Mulher começou a assumir na sociedade portuguesa a partir da década de 30. E, apesar de ser contra, teve que começar a enfrentar essas alterações com a sua filha, quer na sua forma de agir e vestir, quer no seu envolvimento político e na decisão de se divorciar.
Segue-se a neta Ana Clara que, depois de ver a sua família desfragmentar-se, envolveu-se com um homem casado e acabou grávida de Benedita.
Por sua vez, a bisneta de Maria da Glória, iniciou a sua vida sexual aos 14 anos com um colega do colégio e foi o primeiro de vários relacionamentos sem paixão ou sentimento. E, ao contrário do que pretendia a sua avó paterna, também não casou com nenhum príncipe romano...

No fundo, este romance retrata um pouco a evolução, o (des)envolvimento, o crescimento e o papel da Mulher no nosso país desde a década de 30. E tudo isto é feito de forma descritiva, quer no que diz respeito a aspectos e pormenores sociais, culturais e políticos.

Admiro a Júlia Pinheiro enquanto profissional de comunicação. Sei que há muitas pessoas que não gostam dela.
Decidi arriscar e comprar este livro um pouco por impulso e não tanto pela sinopse em si. Não me arrependo nada de o ter feito. Gostei e fico a aguardar pelo seu novo livro…

Classificação: 4/5

Epílogo:
«Maria da Glória morreu no final do ano de 1999, quase à beira do novo milénio. Tinha 84 anos, viveu para o dever e para a culpa. Teve uma filha, um marido e um único orgasmo. A bisneta com apenas 15 anos já lhe levava um avanço considerável. Ana Clara continua a viver sozinha na Estrela e é professora catedrática. Purificação decidiu deixar Portugal e vive no Brasil com o viúvo dos supermercados. Benedita não casou com um príncipe romano.»

13 gotas ao deitar - Alice Vieira, Catarina Fonseca, Rosa Lobato de Faria, Luísa Beltrão, Rita Ferro, Leonor Xavier

Título: 13 Gotas ao Deitar
Autoras: Alice Vieira, Catarina Fonseca, Rosa Lobato de Faria, Luísa Beltrão, Rita Ferro, Leonor Xavier
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 202
Editor: Oficina do Livro
Preço: 14 €
1.ª Edição

Sinopse
Quando seis autoras se juntam para escrever uma história, o resultado é um romance alucinante, onde não faltam mulheres e homens, doenças raras, médicos de índole suspeita, polícias e muito mistério, tudo servido em doses de humor irreverente.

A história, nascida da imaginação de seis mulheres, promete personagens e uma prosa bem viva… apesar das mortes que vão ocorrendo, como é bom de ver. Este romance constitui um divertimento para as seis escritoras que se encontraram (reencontraram, num caso ou noutro) pelo prazer de dar largas à imaginação e escrever, cada uma, dois capítulos do livro. Quantas mulheres existem na cabeça de Maria Marina Silveira Figueiroa?
Marina, que às vezes é Odete, outras dá pelo nome de Maria Eduarda e ainda responde como Francisca, é surpreendida por um telefonema do banco: tem uma dívida ao IRS e a sua conta bancária está penhorada. Desesperada e sem dinheiro, decide recorrer ao amante de Maria Eduarda, Lourenço, inspector da Polícia Judiciária, que, às tantas, deixa de atender o telemóvel e de responder às mensagens. Quando menos espera, a notícia cai como uma bomba: Lourenço é encontrado morto.
Maria Eduarda é detida por suspeita de homicídio e, quando tudo parecia resolver-se, Henrique, o namorado de Marina é assassinado. Acto contínuo, os dias de Maria Marina são passados na Judiciária e é aí, entre um interrogatório e outro, que conhece D. Querida Flor Cerqueira e se apaixona por Couto Pinto. E o verdadeiro mistério começa então a desenhar-se...

Comentário
À semelhança de O Código d’Avintes, Os Novos Mistérios de Sintra e Eça Agora, não podia resistir a este livro escrito por seis mulheres, algumas delas integrantes das três obras indicadas acima. Desta feita, Luísa Beltrão, Rosa Lobato de Faria e Alice Vieira os homens de parte (Mário Zambujal, José Jorge Letria, João Aguiar, José Fanha) e partiram à aventura deste livro que conta a história de Maria Marina, uma mulher que sofre de personalidade múltipla, uma doença ainda bastante desconhecida. Por coincidência, li sobre a doença muito recentemente na revista Sábado e fiquei surpreendida. Eu própria também nunca tinha ouvido falar de uma doença que traz muitos problemas aos seus portadores, mas também à família que tem de estar bem preparada para a enfrentar. Maria Marina é muitas mulheres numa só. Tanto é Eduarda, como Francisca, como Odete. Em comum apenas partilham o corpo, já que de personalidade são mulheres bastante diferentes. Pelo caminho conhecem muitos homens e passam por muitas aventuras. Mas aventura maior é quando Eduarda é acusada da morte do seu namorado/amante Lourenço inspector da Polícia Judiciária. Eduarda em corpo de Marina enfrenta as acusações sem se conseguir defender, quando, de seguida, é acusada de uma outra morte: a do seu namorado Henrique. Mas é aí que conhece o inspector Couto Pinto e tudo começa a resolver-se. Apaixonam-se e casam-se e o novo inspector desvenda o mistério das mortes… Não posso dizer que este livro que me surpreendeu porque já estava à espera da intriga e do mistério que estes livros escritos por várias pessoas me têm proporcionado. Mas é um livro que se lê num ápice, e a pensar já no seguinte. Aquando da tertúlia sobre blogues promovida pela Porto Editora e da qual fiz parte, conheci Rosa Lobato de Faria e no jantar perguntei-lhe o óbvio: como é que se consegue fazer um livro com tanta gente… e tantas mulheres? A autora respondeu que só se consegue porque são todas boas amigas, embora os gritos de discussão que por vezes tinham numa sala da editora fez com que um colega lhes batesse à porta e perguntasse o que se estava a passar já que a história era tão empolgante que só poderia resultar nesta animada discussão, digo eu. Pelo menos uma coisa é certa: o segundo livro já está a ser escrito. Para os amantes deste género de literatura é uma óptima notícia. Venham mais.

Excertos
"Perdera os três homens que alguma vez amara. Mas toda a gente parecia insensível a esse facto. Afinal, a Querida não tem coração. Tem um corpo do tamanho do Entroncamento, uma voz do tamanho da feira da Malveira, uns pés do tamanho da linha do Tua não desactivada.

Mas coração é que não. Coração é que não."

Sobre personalidade múltipla
Segundo o site da Infopedia, a personalidade múltipla é uma patologia da personalidade que se encontra fragmentada em duas ou mais personalidades, que são distintas e que possuem controlo total do comportamento do sujeito.

Os primeiros apontamentos sobre esta temática surgiram por volta de 1816 e, posteriormente, através dos casos com o pseudónimo "Juliette" apresentado pelo psicólogo clínico francês Pierre Janet e com o pseudónimo "Christine Beauchamp" descrito na obra The Dissociation of Personality (Dissociação da Personalidade , 1906) da autoria do escritor americano Morton Prince.
Ao longo da nossa vida assumimos vários desempenhos (pai, avô, professor, Investigador, etc.), a personalidade múltipla que é um caso de comportamento dissociado acontece quando tais desempenhos perdem o contacto uns com os outros ou quando uma personalidade secundária vem complementar aquilo que nos falta.
É importante comentar que uma personalidade secundária ou escondida pode, muitas vezes, ser a mais "normal", a mais ajustada e a mais saudável das personalidades.
Um estado de fuga pode ser longo (durante largos meses ou até mesmo anos) ou curto (apenas um episódio de algumas horas ou de um dia), mas quando a pessoa regressa à sua normalidade, retomando o que deixou para trás, nunca se recorda do sucedido durante a fuga.

Classificação: 4/5

terça-feira, 9 de junho de 2009

Uma Longa Viagem com José Saramago - João Céu e Silva

Título: Uma Longa Viagem com José Saramago
Autor:
João Céu e Silva
N.º Págs.: 416
PVP: 19 €


Sinopse

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, é certamente o escritor português mais traduzido, e mais lido, no estrangeiro. E, no entanto, talvez não seja tão profundamente conhecido no seu próprio país como seria de esperar. Portugal reconhece-o pelos livros que escreveu e que surpreenderam muitos milhares de leitores, mas desconhece-o porventura em muito da sua intimidade e até do seu pensamento. Durante as dezenas de horas de conversas sem tabus de que resultou Uma Longa Viagem com José Saramago, procurou-se ir além de algumas verdades feitas sobre o autor que reinterpreta o Evangelho, que optou pelo exílio ou que profetiza a inevitabilidade da União Ibérica.
As respostas de José Saramago foram analisadas por vinte e quatro outros entrevistados, que comentam as suas declarações e a sua prática da escrita, tudo isto num cenário de reportagem dos lugares por onde a sua vida passou e de investigação e análise da sua obra.
Há palavras nunca ditas e outras reditas sob o olhar da actualidade. Sem reticências, como compete a quem durante tão grande conversa começou e acabou um novo livro, e a meio achou que não teria mais vida para terminar o desafio de se revelar num diálogo pouco habitual por tão extenso.
Uma Longa Viagem com José Saramago, da autoria de João Céu e Silva, é o resultado de dezenas de horas de conversas, realizadas ao longo de dois anos, e tendo como cenários o Bairro do Arco do Cego, Azinhaga, Mafra e Lavre, sem esquecer Lanzarote. Um livro escrito ao ritmo de uma entrevista em discurso directo, como deve ser quando se procura desvendar o outro lado de um escritor lido por muitos milhares de leitores. Nesta grande conversa, José Saramago liberta-se de todas as amarras e responde a todas as questões colocadas por João Céu e Silva, mesmo as que entram na esfera mais pessoal do escritor. O seu percurso literário, as suas opiniões sobre Portugal e o mundo, o seu relacionamento com Pilar Del Río, tudo foi falado, tudo está registado neste livro. Não menos interessante é o facto de todas essas respostas serem comentadas por 24 personalidades, todas elas com presença marcante na vida de José Saramago, como Zeferino Coelho, José Carlos Vasconcelos, José-Augusto França e a própria Pilar del Río.

A minha opinião
Parti para a leitura deste livro com algumas reservas. Primeiro porque, apesar de gostar bastante de biografias, a de José Saramago nunca me atraiu por aí além. Gosto de alguns livros do autor como o Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis (este um dos melhores livros que li até agora) e ainda aguardam leitura alguns como A Viagem do Elefante, Todos os Nomes (que comecei, mas não consegui continuar) e uns quantos outros, que estão na minha estante à espera de vez. Mas José Saramago enquanto “personagem” principal nunca me atraiu sobretudo porque a imagem que tinha, e digo tinha porque mudei um pouco a minha opinião, era de uma pessoa antipática, reservada, de poucas palavras. Muitas vezes esqueço-me que tenho muitas destas atitudes de Saramago. A timidez confunde-se muitas vezes com a antipatia. Ao fim de lidas 416 páginas posso dizer que o livro me surpreendeu. Se bem que não posso deixar de fazer alguns reparos à forma como o autor João Céu e Silva conduziu as entrevistas, sobretudo aquelas que fez com Saramago. Logicamente que Saramago é uma pessoa com um cariz político acentuado, mas o livro torna-se um pouco maçador (poderá ser para mim que não aprecio a temática) porque incidiu muito sobre a política mundial. Mas o problema maior não é só esse. As perguntas políticas, por exemplo, estão bastante dispersas. Tudo bem que o autor dividiu as entrevistas que fez a Saramago, mas poderia ter juntado as entrevistas numa só e organizá-las de uma outra forma. O mesmo acontece quando fala dos livros com o autor. Dou como exemplo o livro O Ensaio sobre a Cegueira que é falado a meio do livro e que depois é retomado no final do livro quando conversam sobre A Viagem do Elefante. No entanto não posso deixar de realçar as entrevistas que o autor efectuou para elaborar este livro, algumas delas bastante surpreendentes. Destaco ainda o discurso na íntegra que Saramago proferiu aquando do Prémio Nobel que me emocionou bastante, principalmente a parte em que realça a importância dos avós para o seu enriquecimento enquanto pessoa.

Excertos e apontamentos
Não poderia deixar de realçar alguns (muitos) dos excertos que me cativaram ao longo da “viagem”.
Sobre O Homem Duplicado - surge ao espelho a ideia do outro. “Para mim o outro existe, sou eu próprio”. Nascida essa ideia passou a ser necessário articular uma história com personagem. Ensaio sobre a cegueira – nasceu num restaurante na Varina da Madragoa. Pensou “e se nós fossemos cegos? E imediatamente dei a resposta à pergunta: mas nós estamos todos cegos!” O Ano da Morte de Ricardo Reis foi em Berlim, num quarto de hotel. “A ideia é aquela coisinha que se diz em 4 palavras. Depois há que fazer a história”. Nunca foi uma pessoa ambiciosa. Nunca fez nenhum projecto de carreira. “A prova de que eu não tinha projectos para chegar a ser um escritor é que só aos 58 anos é que procurei ser.”
Após a publicação do 1.º livro – Terra do Pecado – “Que deveria chamar-se A Viúva”, em 1947, esteve praticamente 19 anos praticamente sem escrever.
Quando publicou Levantado do Chão, aos 58 anos. “Digamos que aos 58 anos eu tinha escrito uns quantos livros mas não era um escritor”.
O episódio em que Saramago relata como soube que tinha ganho o Prémio Nobel é extraordinário em que conta que soube da notícia no aeroporto de Frankfurt, quando regressava a casa.
“As circunstâncias quiseram que eu tivesse sido serralheiro mecânico”.
O autor relata como decorreu a primeira entrevista com Saramago, que decorreu na sala de estar da casa do Arco do Cego, tendo Saramago descido 20 minutos após a chegada de João Céu e Silva. Não interrompeu a conversa durante 5 horas e deu respostas que se prolongaram por 20 minutos.
“Acho que a terra ainda não soube agarrar a imagem do Saramago e projectar-se”. - Vítor Manuel da Guia, Presidente da Junta de Freguesia de Azinhaga do Ribatejo.
O autor falou ainda com padre Carreira Neves, que recolheu todas as achas possíveis de encontrar para sacrificar José Saramago devido ao livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, obra que o fez abandonar Portugal e passar a viver em Lanzarote. Carreira Neves diz que a parte que o mais impressionou no livro foi “quando Jesus está no lago Tiberíades e há aqueles diálogos entre Deus, Jesus e o Diabo. Como criatividade literária foi o que mais me impressionou! Não me fere nada que haja amores entre Jesus e Maria Madalena porque é um romance”.
Saramago revela que tem o hábito de escrever ao fim da tarde, entre as cinco e as nove. “Eu escrevo só duas páginas por dia, não escrevo mais, mesmo que tenha possibilidade de continuar”.
Questionado sobre se sente em Lanzarote inspiração para escrever como se estivesse em qualquer lugar Saramago responde que “isso da inspiração para escrever é uma fábula”.
Mais à frente adianta que não aceita que os seus livros sejam “traduzidos” no Brasil. “A língua é minha, o sotaque é meu”.
“Quando pegamos no livro novo e o abrimos, a gralha normalmente aparece imediatamente, é a primeira bofetada que levamos”.
Sobre A Viagem do Elefante, José Saramago confessa que já tinha essa ideia há 4, 5 anos “mas achei-a tão difícil que a pus de parte. Disse não, vou-me meter numa carga de trabalhos…Mas passou o tempo e no princípio do ano passado perguntei-me: e se eu voltasse ao tema?”
Sobre a literatura de entretenimento Saramago diz que sempre existiu. “E além disso, às vezes, até necessária”, adiantando que um livro de entretenimento pode ser um bom livro. “Agora há outros por aí que não pensam senão em escrever 120 páginas e aí temos livros que quando os abrimos e se lê uma página ou duas é uma vacuidade total”.
“Mas às vezes há ideias boas que não têm futuro”.

Classificação: 4/5

domingo, 7 de junho de 2009

Sonhar as Estrelas - Linda Gillard

Título: Sonhar as Estrelas
Autora: Linda Gillard
Colecção: Contemporânea
Preço: 19.51€
Pp.: 244

Sinopse
Marianne Fraser, cega à nascença, viúva na casa dos 20 e solitária aos 40, vive num elegante bairro de Edimburgo na companhia da sua irmã Louisa, uma escritora de sucesso. A natureza apaixonada de Marianne encontra consolo e expressão na música, um amor que partilha com Keir, um homem com quem se cruza à porta de sua casa numa noite de Inverno.
Embora vários homens tenham surgido na vida de Marianne, Keir não se compadece com a sua situação. É rude mas também estranhamente delicado. Mas pode Marianne confiar nos seus sentimentos por este desconhecido solitário que quer levá-la para a sua casa na ilha de Skye e «mostrar-lhe» as estrelas?
Linda Gillard vive na ilha de Skye, a noroeste da Escócia. Foi actriz, professora e jornalista, antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro. É a autora de Emotional Geology e A Lifetime Burning.

A minha opinião
Viúva aos 27 anos de Harvey, Marianne é uma mulher forte apesar da sua deficiência de nascença. Apesar de ser cega nunca deixou de se divertir, de passear sozinha, de se relacionar com pessoas. Com 40 e poucos anos Marianne conhece uma pessoa que a faz lembrar do antigo marido. Apesar de inicialmente misterioso, Keir depressa começa a conquistar a atenção de Marianne. De tal forma, que a sua irmã, Louisa começa a desconfiar se tudo não passa da imaginação de Marianne. No entanto, quando conhece Keir, Louisa rapidamente muda de opinião e apoia a relação. Um livro leve, mas com uma personagem forte, que consegue ultrapassar todos os obstáculos que se lhe atravessam no caminho. Um livro para se ler no Verão e talvez sonhar com as belíssimas paisagens descritas no livro e que existem na realidade, da ilha de Skye, no noroeste da Escócia, local onde a própria escritora habita. Podem ainda ver o site da escritora aqui

Excertos
“Eu não devia ser guiada por um labrador? Ou brandir uma bengala branca? No mínimo não devia usar uns óculos escuros enormes como aqueles que se tornaram imagem de marca de Roy Robinson e de Ray Charles? Eu sei, eu sei. Na verdade, a culpa é minha por fazer a minha vida quotidiana e ter um ar normal”.
“Não me considero diminuída, excepto pela opinião que os outros têm de mim”.

Classificação: 3/5

Tertúlia na Feira do do Livro do Porto sobre “O Papel dos Blogues na Divulgação Literária"

“O Papel dos Blogues na Divulgação Literária" foi o mote lançado pela Porto Editora para uma tertúlia moderada por Rui Azeredo, jornalista e responsável pelo blogue Porta-Livros, e que teve como convidados o jornalista Sérgio Almeida (Jornal de Notícias), Márcia Balsas (blogue Planeta Márcia), Paulo Ferreira do Blogtailors e eu. À mesa juntou-se também Paulo Gonçalves, responsável pela Gabinete de Comunicação e Imagem da Porto Editora numa conversa aberta a todos os que quiseram participar e fazer perguntas.

Numa altura em que se percebe que os media de grande dimensão e mesmo os media locais têm cada vez menos espaço para a divulgação de novos livros, os blogues têm vindo a surgir, cada vez em mais e maior força, colmatando as falhas da comunicação social relativamente a essa área. Além de leitores, também escritores e editoras apostam cada vez mais na internet e nos blogues para a divulgação e promoção dos livros. De que forma é que os blogues podem cumprir com essa função, como é que os editores
e os escritores encaram os blogues, que credibilidade dão os leitores a esses espaços alternativos
foram algumas das questões abordadas, no dia 5, na Feira do Livro do Porto.

Inicialmente um pouco com receio de uma exposição pública (quem me conhece sabe que sou extremamente tímida e não me sinto à vontade em frente a um público), a tertúlia correu bastante bem, de um modo informal, como se de uma conversa de amigos se tratasse. Provavelmente o jantar que tivemos antes, e que contou com a presença de Rosa Lobato de Faria (uma das minhas autoras preferidas), contribuiu em muito para isso.
Uma experiência enriquecedora, onde se falou bastante de livros e do papel dos blogues na divulgação dos mesmos e na importância que as editoras dão cada vez mais à blogosfera.
Um agradecimento especial à Porto Editora por ter proporcionado tão agradável debate.

sábado, 6 de junho de 2009

Bertrand lançou “O Expresso de Cantão”

A Bertrand lançou esta semana “o Expresso de Cantão” de Giuliano da Empoli que aborda as grandes viagens dos Descobrimentos, quinhentos anos depois.

Giovanni da Empoli, viajante e mercador florentino, foi um importante informador do Estado Português da Índia por altura dos Descobrimentos. Giuliano da Empoli é um reconhecido sociólogo e pensador, descendente do aventureiro que fez história no século XVI. A separá-los, mais de 500 anos. A uni-los, além do parentesco, uma paixão enorme pelo Oriente, tão grande, tão grande que deu origem a um livro: O Expressão de Cantão.

1503: Giovanni da Empoli, um jovem mercador florentino, embarca nos navios que conduzem pela primeira vez o grande Afonso de Albuquerque ao continente indiano. Trata-se do início de uma aventura que haveria de durar quinze anos, durante os quais Giovanni da Empoli participaria nos eventos mais importantes da sua época e conheceria os seus protagonistas: de Savonarola a Magalhães, de Maquiavel a Leão X.

2008: Giuliano da Empoli, descendente do mercador florentino, decide seguir o trilho do seu ousado antepassado. Ao longo das quase 300 páginas resultantes dessa aventura, Giuliano da Empoli intercala passado e presente, confronta factos antigos com experiências actuais e recapitula dados histórico-políticos.
Numa altura em que o baricentro do mundo começa a deslocar-se novamente para o Oriente, o autor oferece-nos um relato de viagens encantador que descreve duas fases cruciais da globalização através do olhar de dois testemunhos ligados por um fio invisível que percorre cinco séculos de História. Um relato que, de resto, se lê com muito prazer e grande curiosidade.

Sobre Giuliano da Empoli
Giuliano da Empoli nasceu em Paris, em 1973, e é conselheiro especial do Ministro da Cultura italiano e do vice-primeiro-ministro. É também o fundador e editor da “Zero”, uma revista de cultura e política, e colunista do diário financeiro Il Sole 24 Ore. Esteve à frente da editora Marsilio e foi director da Bienal de Veneza. É formado em Direito pela La Sapienza, de Roma, e diplomado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris. Está traduzido para várias línguas.

Opiniões sobre "O Expresso de Cantão "
“Da Empoli confirma ser um observador atento das tendências macro e micro-sociais da Aldeia Global, passando com ágil desenvoltura da finança à urbanística e inventariando falhas e soluções possíveis para o inevitável confronto entre Oriente e Ocidente, que caracterizará pelo menos a próxima década.”
Europa

“Da Empoli encontrou personagens míticas dos nossos dias.”
Corrière del Veneto

Chancela:
Bertrand Editora
N.º Páginas: 288
P.V.P.: 17,50 €

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Bertand lança hoje Onde Crescem Limas não Nascem Laranjas de Amanda Smyth

Título: Onde Crescem Limas não Nascem Laranjas
Chancela:
Bertrand Editora
Páginas: 272
PVP: 16,50 €
Disponível a partir de 5 de Junho

Sinopse
A mãe de Celia, a menina que arrebata o coração do leitor logo na primeira página, morreu ao dá-la à luz. «Quando uma alma chega, outra tem de partir.», dizia-lhe a Tia Tassi, com quem Celia viveu até ao dia em que o tio Roman (marido da Tia Tassi e padrasto das duas primas gémeas) a violou. Na noite seguinte, Celia saiu de casa, deixou Tobago e apanhou um barco para Trindade. Antes, porém, uma velha sábia previu-lhe vida dura: Celia haveria de destruir a vida de um homem um outro haveria de partir-lhe o coração.

Na viagem até Trindade, onde trabalha e vive a Tia Sula, Celia adoece com febre-amarela. William, um jovem local, toma conta dela e acaba por lhe salvar a vida. Foi também William quem lhe conseguiu trabalho na casa do Dr. Emanuel Rodriguez, onde Celia assegura algumas tarefas domésticas e toma conta dos filhos do respeitado médico. Estão assim apresentadas as personagens principais deste romance. Quanto ao enredo, só uma leitura lhe pode fazer justiça.

Em Onde Crescem Limas Não Nascem Laranjas também há uma mulher que enlouquece por amor (a fazer lembrar o romance de Jean Rhys), respira-se o mesmo ambiente tropical e colocam-se as mesmas questões acerca da capacidade do ser humano decidir o próprio destino.

Sobre ele disse o jornal The Independent: «A história de Smyth é poderosa, e Celia é uma heroína cativante, terrena e espiritual, que o decorrer do livro vê crescer, ferida e defensiva.» Onde Crescem Limas Não Nascem Laranjas é um romance lírico, escrito em harmonia com a riqueza da paisagem tropical e com o toque sobrenatural do imaginário da sua gente, acrescentamos nós.

Sobre Amanda Smyth

Amanda Smyth nasceu em Trindade, mas tem origens irlandesas e portuguesas. Concluiu o mestrado em Escrita Criativa na UEA, em 2000. Os seus contos têm sido publicados na New Writing e na London Magazine, para além de transmitidos na Radio 4. Amanda Smyth recebeu uma bolsa do Arts Council para a escrita de Onde Crescem Limas não Nascem Laranjas.

Sobre Onde Crescem Limas Não Nascem Laranjas
«Alguns romances vibram de cor. Escrito numa linguagem luxuriante e lírica, que evoca o seu cenário tropical, Onde Crescem Limas Não Nascem Laranjas, de Amanda Smyth, encontra-se impregnado de buganvílias, periquitos, caranguejos azuis, manicous, rum, cocos e magia obeah.» Financial Times
«Um cocktail poderoso, feito de um calor escaldante e de uma frieza bela, e escrito na prosa inteligente, hipnótica e translúcida que faz de Smyth uma romancista nata.» Ali Smith

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Novidades da Editorial Presença para a 1.ª quinzena de Junho

A Terra Pura
Alan Spence

Sinopse:

Em 1858, Thomas Glover deixa Aberdeen, a sua cidade natal na Escócia, para ir trabalhar para Nagasáqui. Jovem, ambicioso, confiante e dotado de uma personalidade carismática, em pouco tempo domina o comércio do chá, da seda e do ópio, e mais tarde envolve-se na venda clandestina de armas ao xógum e aos seus adversários. Estes passos originarão uma delicada intriga política, que as suas ligações amorosas - cuja intensidade dramática viria a inspirar obras como Madame Butterfly e Miss Saigon - só irão agravar. A Terra Pura é uma saga exuberante sobre a viagem espiritual do homem cuja influência iria ajudar a mudar o destino do Japão até aos tempos modernos…

Colecção: Grandes Narrativas
N.º na Colecção: 433
P.V.P.: 18,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 336


Um Outro - Crónica de Uma Metamorfose
Irme Kertész

Sinopse:

Neste livro em registo de diário, escrito entre os anos 1991 e 1995, o autor faz um dramático questionamento acerca da identidade negada pelos regimes totalitários, sem nunca se deixar cair na armadilha do simples rememorar do passado. Mais do que relembrar os horrores do Holocausto, ele pretende acima de tudo criar uma linguagem que exprima realmente o Holocausto como cultura, como desenvolvimento previsível da cultura europeia a partir do Iluminismo.

Colecção: Grandes Narrativas
N.º na Colecção: 434
P.V.P.: 11,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 104


Deuses Americanos
Neil Gaiman

Sinopse:

Sombra, acabado de sair da prisão, aceita trabalhar para um estranho, o Sr. Quarta-Feira, que não é nada mais nada menos que a encarnação de um deus antigo. Por estarem a ser ultrapassados por ídolos modernos, os deuses antigos encontram-se em vias de extinção, e Sombra e Quarta-Feira têm de reunir o maior número de divindades para se prepararem para o conflito iminente que paira no horizonte. Mas esperam-nos inúmeras surpresas… Bestseller distinguido com diversos prémios, Deuses Americanos é uma aventura onde o mágico e o mundano, o mito e o real, caminham lado a lado, levando-nos numa viagem repleta de humor ao extraordinário potencial da imaginação humana.

Colecção: Via Láctea
N.º na Colecção: 74
P.V.P.: 20,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 496


Dias Tranquilos em Clichy
Henry Miller


Sinopse:

Dias Tranquilos em Clichy é a evocação nostálgica e poderosa dos anos em que Henry Miller viveu em Paris, uma época que viria a ter uma influência determinante na sua vida e em toda a sua obra. São os anos em que Miller é ainda um escritor jovem e obscuro, que celebra o amor, a arte e a vida boémia na cidade que, mais do que qualquer outra, o inspira. Os anos do início da sua longa amizade com Alfred Perles e das visitas ao bordel Club Melody. Um grande clássico da literatura erótica, que exalta o deleite inocente na sexualidade e o desejo de liberdade pessoal e artística.

Colecção: Obras Literárias Escolhidas
N.º na Colecção: 6
P.V.P.: 10,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 80


O Círculo da Morte
Andrew Pyper

Sinopse:

Numa oficina de escrita criativa, Patrick Rush segue atentamente o trabalho de Angela, uma jovem que conta uma história lúgubre e hipnótica sobre uma criança atormentada por uma figura misteriosa que a persegue. Ao mesmo tempo, o bairro onde Patrick vive começa a ser testemunha de acontecimentos com estranhas ligações à história de Angela, e as fronteiras entre realidade e ficção tornam-se cada vez mais confusas e perturbadoras. Eleito Crime Novel of the Year pelo New York Times e já comparado a clássicos do género, este é um livro repleto de suspense que deixará os leitores irremediavelmente absorvidos pela sua intriga.

Colecção: Minutos Contados
N.º na Colecção: 23
P.V.P.: 16,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 272


Culpados ou Inocentes
Denise Mina


Sinopse:
Como forma de se abstrair do intenso remoinho que agita a sua vida, Maureen O’Donnell envolve-se na investigação do desaparecimento de Ann Harris, uma mulher que conheceu no abrigo para vítimas de maus tratos onde trabalha e que mais tarde aparece morta nas margens do Tamisa. Aparentemente, Maureen é a única pessoa que acredita na inocência do marido de Ann e por isso vai para Londres a fim de reconstruir os últimos dias da misteriosa mulher. Mas aquilo que Maureen descobrirá em Londres poderá mudar todas as suas percepções e colocá-la numa perigosa rota ao encontro de um destino irreversível…

Colecção: O Fio da Navalha
N.º na Colecção: 103
P.V.P.: 19,50 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 392



O Pacto - O Crime de Ter Nascido
Gemma Malley

Sinopse:
Planeta Terra, ano 2140. A ciência oferece aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, mas, dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-lo é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo… Uma estreia absolutamente original.

Colecção: Noites Claras
N.º na Colecção: 1
P.V.P.: 14,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de páginas: 288


Ai Quiseste ir de Férias, Stilton?
Geronimo Stilton

Sinopse:
«Mas quem me mandou a mim ir para Puerto Catórzio? São umas férias de susto: perseguido por tubarões e baratas, esturro o focinho ao sol, tenho de saltar de pára-quedas e fazer escalada livre... Com mil mozarelas, não vejo a hora de voltar para casa e poder descansar!»

Colecção: Geronimo Stilton
N.º na Colecção: 33
P.V.P.: 8,00 €
Data 1.ª edição: 02/06/2009
N.º de edição: 1.ª
N.º de Páginas: 128

domingo, 31 de maio de 2009

Sozinhos - Lisa Gardner

Título: Sozinhos
Autor: Lisa Gardner

Editora: Círculo de Leitores
Capa: Capa dura revestida a papel couché impressa a cores

N.º de págs.: 256
Formato: 13,8 x 22,2 cm
Preço: 17,40 Euros

Sinopse
A estranha beleza de uma mulher. De vítima a manipuladora, Catherine guarda uma negra história de abusos e violência. Quando o agente especial Bobby Dodge a salva disparando contra o marido, não sabia que os seus instintos de sniper mudariam para sempre a sua pacata vida. Entretanto, pelas ruas de Boston caminha agora em liberdade um perverso assassino. Num thrilher de inesperados e obscuros contornos, Lisa Gardner cruza de forma exemplar o caminho destas três personagens. Numa palavra: arrepiante.

Bobby Dodge é um dos melhores atiradores da unidade SWAT da polícia estadual de Massachusetts. Vive contudo uma pacata vida com a namorada, uma bela música. Inesperadamente, numa noite igual a tantas outras, observa pela janela uma cena de violência entre marido e mulher. O homem, armado, faz a mulher e o filho reféns e Bobby, agindo instintivamente, dispara para os salvar. A bela mulher que pensa salvar da fúria do marido é Catherine Gagnon. Quando a polícia começa a investigar o seu passado descobre contudo que há mais de vinte anos atrás ela fora raptada e vítima de abuso, tendo-se tornado uma perigosa manipuladora. Bobby não o sabia, mas o seu gesto irá levá-lo ao inferno...
Entretanto, depois de ter passado anos numa solitária, um perverso assassino é libertado. Cumpriu já a sua pena, mas isso não quer dizer que não congemine ainda planos de vingança e terror.

Comentário
Quando Bobby Dodge, polícia e um dos melhores atiradores da sua equipa, foi chamado para um caso de violência doméstica nunca pensou que a sua vida ia mudar radicalmente. Num instante passou de herói de uma mulher assustada, a assassino do seu marido. Quando o caso se torna conhecido, Bobby descobre que Jimmy, o homem que matou e que vira apontar uma arma à sua mulher, era filho de um reputado juiz, muito influente e que deseja que o carrasco do seu filho sofra pela morte de Jimmy. Ao mesmo tempo, Bobby descobre que poderá ter sido manipulado por Catherine, mulher de Jimmy, e que provavelmente o que ele viu naquela madrugada da janela de um apartamento em frente ao do jovem casal, pode não ter sido uma ameaça concreta do marido, mas sim da mulher, que desejava vê-lo morto e pode ter encenado aquele momento para que se pensasse precisamente o contrário. Catherine é de facto uma mulher misteriosa e complicada. Enquanto criança, foi raptada por um pedófilo e mantida cativa num gruta durante 28 dias, altura em que conseguiu escapar. Poucos dias depois, o pedófilo seria preso, numa pena que duraria 25 anos. Durante esse tempo, Mr. Bosu, assim se passou a chamar, Richard Umbrio engendrou, para quando saísse da prisão, os mais variados planos para se vingar e continuar com a sua vida de pedófilo sem que ninguém descobrisse. Quando esse dia aconteceu, viria a ser contratado por uma pessoa para exterminar várias personagens que estavam a atravessar no caminho da investigação. Um livro empolgante desde o primeiro capítulo, se bem que este não foi o que mais gostei de Lisa Gardner. No entanto, um livro, para quem gosta de policiais, a reter. Esta é uma das minhas autoras preferidas da área.


Excertos:
"Quando puxei o gatilho... não me importeicom o nome do homem, do vizinho, do pai, nem com a sua história. Não sabia se ele batia no cão ou se dava dinheiro a orfanatos. Só sei que o indivíduo tinha uma arma apontada à cabeça de uma mulher e o dedo no gatilho. Tive de basear as minhas acções nas acções dele".

"O melhor lugar do mundo é aqui mesmo" - Francesc Miralles e Care Santos

O melhor lugar do mundo é aqui mesmo

Sinopse:
Escrito a quatro mãos, este é um livro que nos dá um pequeno curso sobre a felicidade quotidiana. Francesc Miralles e Care Santos contam a história de Iris, uma mulher na casa dos 30, que vive só e trabalha como telefonista numa companhia de seguros. Desde a recente morte dos pais num acidente de viação, nada tem que a prenda a este mundo, e perdeu por completo a capacidade de sonhar. É então que, num domingo cinzento, quando o desespero mais profundo lhe ensombra os pensamentos, Iris entra por curiosidade num café com um nome invulgar: O Melhor Lugar do Mundo é Aqui Mesmo. É neste café que Iris conversará com um misterioso estranho chamado Luca, e este guiá-la-á, durante seis tardes consecutivas, ao longo de uma incrível e mágica experiência introspectiva que lhe permitirá redescobrir-se. Uma obra reconfortante e inspiradora que nos convida a meditar e a sintonizarmo-nos com a nossa essência mais profunda, pois só assim podemos valorizar o presente e ultrapassar o passado.

Editora: Editorial Presença
P.V.P.: 12,50 €
Data 1ª Edição: 19/05/2009
N.º de Edição: 1.ª
N.º de Páginas: 144

Opinião:

Após o falecimento dos pais num acidente de viação Iris perde a vontade de viver. Sem irmãos nem outros familiares decide cometer suicídio. Mas, no dia em que estava previsto cometer tal loucura, algo sucede e a sua vida ganha um novo rumo e dinamismo.
Um espaço que até então nunca tinha reparado surge na zona onde vive. Trata-se de um café com um nome bastante peculiar: “O melhor lugar do mundo é aqui mesmo”.
Iris decide entrar no café e vai ser aqui que, ao longo de seis dias, se vai desenrolar a aventura principal desta narrativa. E é aqui que ela vai conhecer Luca, uma pessoa muito reservada, misteriosa e por quem ela acaba por se apaixonar.
Em seis dias e de forma enigmática, Luca vai tentar alterar a monotonia em que se tornou a vida de Iris, principalmente, após a morte dos pais.
Mas afinal quem era Luca? Como é que ele surgiu repentinamente na vida de Iris? Seria possível Iris viver a sua paixão com o enigmático Luca? Será que aquele café com um nome tão sugestivo alguma vez e existiu?...
No final, e apesar de todos os mistérios e dúvidas que foram surgindo, Iris que até ali pensava pôr termo à sua vida monótona e enfadonha, conseguiu efectivamente mudar o rumo do seu destino...

“O melhor lugar do mundo é aqui mesmo” é um livro que se lê rapidamente, porque além de conter poucas páginas, revela-se uma leitura fluida. Mas, apesar de ser uma leitura leve, o seu conteúdo revela-se algo profundo e valioso. Ao longo de toda a história os autores vão-nos fazendo pensar e reflectir no que realmente pretendemos e ambicionamos para a nossa vida.

Excertos:

“O sabor está no presente mas, no acto de comer, a cozinha pertence ao passado e a digestão ao futuro.”

“A vida compreende-se olhando para o passado, mas só pode ser vivida olhando para o futuro.”

“Não chores porque as coisas chegaram ao fim; sorri porque elas existiram.”

Classificação: 4/5

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Asa lança Casas Contadas de Leonor Xavier


O dia 4 de Junho vai servir de pretexto para o lançamento de Casas Contadas de Leonor Xavier. O local escolhido é o Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, pelas 19 horas. A apresentação estará a cargo de Helena Matos.


Uma vida contada através das treze casas a que Leonor Xavier chamou suas. O tema é tanto mais interessante quanto a autora viveu nessas casas experiências marcantes, não só para ela, mas para toda uma geração. Oriunda de uma família da média-alta burguesia, casada cedo com um jurista brilhante, com três filhos pequenos, passa do ambiente protegido de uma família tradicional numa casa da Lapa, para São Paulo, no Brasil, quando, em 1975, ela e o marido decidem começar uma nova vida fora de Portugal. A experiência – que foi certamente vivida por muitos portugueses que abandonaram Portugal nos anos 70 – é muito bem narrada no livro. Tudo é novo: a situação precária em que chegam, os trabalhos ocasionais, a nova escola dos filhos, a empregada brasileira, a solidariedade dos amigos que conhecem no Brasil, a língua diferente, os costumes muito mais livres. Mais tarde, o regresso a Portugal, a adaptação ao país diferente que vem encontrar, o recomeçar de novo,integrando na sua nova vida o espírito optimista, sem preconceitos e convivial que foi talvez, para além dos muitos amigos, o que de melhor lhe ficou da experiência brasileira. Numa escrita colorida e muito pessoal, Leonor Xavier dá-nos o retrato de dois mundos muito diversos que ela conseguiu conciliar como ninguém.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

79.ª edição da Feira do Livro do Porto

Começa hoje a 79.ª edição da Feira do Livro do Porto que, este ano, regressa à Avenida dos Aliados.
Tal como sucedeu com a de Lisboa, estão prometidas muitas novidades. Desde logo, novos horários e novas actividades que prometem fazer “Viver a Leitura”. Além disso, a Feira do Livro do Porto vai ter uma nova imagem, pavilhões renovados, duas praças e um Auditório Central.
Durante a Feira do Livro de Lisboa podem ser adquiridos livros a preços especiais e pedidos autógrafos aos escritores que por lá vão passando. Haverá ainda lugar para debates, apresentações e lançamentos de livros. Os horários foram também alterados.


Horário:
2.ª a 5.ª Feira: das 12h30 às 20h306.ª e véspera de feriados: das 12h30 às 23 horasSábados: das 11 às 23 horasDomingo: das 11 às 22 horas

A Feira do Livro do Porto decorre até ao próximo dia 14 de Junho.
As novidades e a programação da 79.ª edição da Feira do livro do Porto podem ser consultadas em http://www.feiradolivrodoporto.pt/

"Voo final" - Ken Follett

Voo final

Sinopse:
Em Junho de 1941 a Dinamarca encontra-se sob a ocupação de Hitler, enquanto a Grã-Bretanha é a única potência europeia em condições de fazer frente ao avanço dos nazis. Mas os aviões que partem em missões de bombardeamento são sistematicamente abatidos pelos esquadrões germânicos, como se de algum modo estes conhecessem os planos de ataque da RAF. Uma agente do MI6 é destacada para investigar o que está a beneficiar os alemães, numa missão secreta à Dinamarca... Ao mesmo tempo, na pequena ilha de Sande, o jovem Harald, encontra numa base secreta dos alemães algo cuja descoberta pode ser vital para mudar o curso dos acontecimentos... Um thriller empolgante e complexo, baseado num caso verídico, pela mão do grande mestre da arte de contar que é o mundialmente famoso Ken Follett.


Editora: Editorial Presença
Colecção: Grandes Narrativas
N.º na Colecção: 427
Data 1ª Edição: 07 de Abril de 2009
N.º de Edição: 2.ª
N.º de Páginas: 368
P.V.P.: 20,00 €

Excerto:
«Os nazis descobriram uma arma capaz de vencer a guerra. Julgámos que estávamos anos à frente deles com o radar, e sabemos agora que também o têm, e que o deles é melhor do que o nosso!»
[Digby Hoare]

A minha opinião:
1941… parte do velho continente europeu encontra-se sob ocupação nazi. A Grã-Bretanha é o único país que pode fazer frente aos alemães mas, inexplicavelmente, os aviões britânicos são constantemente abatidos pelos esquadrões germânicos… um mistério!
Winston Churchill estava inquietado com a possibilidade do seu país perder a Guerra, sobretudo quando os Serviços Secretos Ingleses interceptaram uma mensagem que revelava que os germânicos tinham desenvolvido um sistema de radar melhor que o dos Aliados. Assim, era preciso encontrar esse sistema e obter fotos para que conhecessem melhor as estratégias dos adversários.
Esta aventura baseada em factos verídicos, gira em redor das aventuras e desventuras vividas pelas personagens na senda do radar utilizado pelos germânicos para detectar os aviões inimigos. O objectivo era perceber como funcionava esse sistema de radar e tentar conceber uma forma de o anular e salvar a vida de milhares de aviadores.
O jovem Harald Olufsen trabalhou como operário no início da construção da base alemã na ilha dinamarquesa de Sande, sem imaginar sequer o que ali seria depois instalado pelos germânicos.
Num dia à noite, em que chovia torrencialmente, para cortar caminho até casa passou pela base e conseguiu ver que os alemães ali tinham instalado uns equipamentos que nunca tinha visto nada do género na sua vida. E, logo ele, que era todo interessado e mostrava algum jeito para a maquinaria e mecânica. Apesar de não ter conseguido logo decifrar o que viu, ficou intrigado.
Mais tarde, numa aula experimental de avião, foi o jovem Harald que informou o piloto Poul Kirk sobre o que tinha visto na base alemã.
Poul Kirk, elemento dos Guarda-Nocturnos, descobria assim a localização do radar alemão.
A partir daqui as personagens sucedem-se, assim como uma série de viagens e peripécias, de disfarces e mentiras, de segredos e de mortes, que tinham apenas um propósito… arranjar uma forma de fotografar o equipamento criado pelos alemães. Isto, sem serem apanhados pelos alemães ou pelo agente Peter Flemming, que em nada facilitou a vida a Harald e ao seu irmão Arne, por pura vingança à família Olufsen, devido a acontecimentos passados.
“Voo final” revela-se uma história empolgante e com muito suspense à mistura. Embarcamos nesta aventura com ritmo e, com ele, permanecemos até ao final da narrativa. Não há lugar para tempos “mortos” e monótonos durante a leitura, tal é a envolvência da escrita e da narrativa e porque, ao longo da obra, o autor não se perde com muitos rodeios e enredos.
O livro revela-se ainda rico em informações e dados históricos que o autor vai apresentando, demonstrando assim, um grande trabalho de consulta e pesquisa aquando a feitura do livro. O mesmo se passa com as descrições e conhecimentos pormenorizados que Ken Follett faz dos aviões e, consegue fazê-lo, sem ser de forma maçadora.
Fascinante! Adorei!

Classificação: 5/5

terça-feira, 26 de maio de 2009

As Vinhas da Ilusão - Benedetta Cibrario

Título: As Vinhas da Ilusão
Autor: Benedetta Cibrario
N.º Págs.: 240
PVP: 16,50 €

Sinopse
Um século de História. Um casamento fracassado. Uma paixão no coração da Europa. As Vinhas da Iusão é um romance que obteve, em 2008, um dos mais importantes prémios literários de Itália: o Campiello. Turim, 1928. Uma mulher rebelde, que nunca nos revelará o seu nome, é criada num lar onde a elegância e o rigor da aristocracia piemontesa a constringem à infelicidade de um casamento combinado. Aos vinte anos é forçada a casar com o homem que lhe estava prometido, mas o destino insiste em colocar-lhe no caminho, em três inesperadas ocasiões, o fascinante e enigmático Trott e ela como que despertará de um encantamento. Demasiado moderna para se adaptar docilmente às convenções sociais, ela é, no entanto, muito frágil e pouco acostumada a dar voz aos seus sentimentos. Vivem-se tempos de mudança: na sociedade italiana e também dentro dela. Face às constantes traições desavergonhadas do marido, decide abandoná-lo e refugia-se sozinha em San Biagio, numa quinta nos arredores de Siena. Entretanto eclode a Segunda Guerra Mundial e dá-se a queda do Fascismo. O desejo de renascimento que acaba por invadir um país inteiro acaba por coincidir com o reaparecimento de Trotts.

Comentário
A autora do texto nasce no início do século passado. Filha de uma família aristocrata, os pais desejam fazer-lhe um “bom” casamento, como ditam os costumes da época, sobretudo naquele extracto social. Assim, aos 19 anos, o pai apresenta-lhe uma lista com cinco nomes, para que ela escolha o seu futuro marido. Giuseppe Braquemond ficou logo excluído por ser seu primo; Giovanni Bricherasio era demasiado velho; Enrico Bellardi é banqueiro, demasiado rico e não queria que julgassem que casava por interesse; della Torre era considerado o homem mais imbecil da cidade. Restava-lhe Villaforesta, um homem elegante, pouco dado à mundanidade. Optou pelo último, mas esta revelou-se uma má opção. Cedo Villaforesta deixou de ligar à sua esposa, e mantinha um caso com uma mulher de má reputação. Farta da vida que levava, e aposta Villaforesta lhe ter privado da coisa que mais gostava de fazer (montar a cavalo) a protagonista (que nunca saberemos o nome), parte para a Coutada, local deixado em testamento pelo seu irmão Enrico. Até que em Turim, num jantar com os amigos, reencontra o amor da sua vida, Trott, um rapaz que a chamou a atenção durante um jantar a que tinha ido com o seu marido. Encontra-se com ele num hotel barato e vive uma tórrida noite de paixão. Quando se despede, deixando-a à porta de sua casa, Trott promete manter-se em contacto com ela, mas nem cartas nem telefonemas recebe dele. Nessa altura começa a Segunda Guerra Mundial colocando o país em miséria total. Todos viviam sob o terror de verem ser mortos os seus entes queridos. Seis anos mais tarde, e com o fim da Guerra, Trott reaparece na vida da protagonista, que nem o reconhece. Todos ficam diferentes com a guerra. É Trott quem a vai ajudar a colocar a sua Coutada produtiva, incidindo na vinha, que tem como benefício a localização da sua quinta, um local privilegiado para o cultivo da vinha. No entanto, e antes que lhe confesse um segredo que guarda há algum tempo, Trott desaparece de repente e nunca mais tem notícias dele. Só quando, mais velha, decide organizar uma festa com os seus antigos amigos, e convidando o seu marido já moribundo, descobre uma verdade avassaladora. Um romance que me prendeu bastante, sobretudo pela vida da protagonista, que sempre se mostrou forte nas suas convicções, deixando para trás os mexericos do povo e das conveniências.

Excertos
“Recusava-me a dar explicações, de nada serviriam: será que o meu marido ainda não se apercebera de quanto me afeiçoara a Peak? Ou isso não lhe interessava nada? Consegui, inclusivamente, sorrir; mas dentro de mim nascia uma raiva cega, absoluta; irrefutável”.
“… sabia que havia um lugar meu. Sabia que, de todas as vezes que o desejasse, ou quando a vida conjugal e as suas consequências sociais se tornassem insuportáveis para mim, teria um lugar para onde ir”.
“Despimo-nos de tudo durante a Guerra, até da timidez, do pudor e dos velhos hábitos”. “Nestes anos tudo mudou, a Guerra devastou todas as coisas, não se limitou a devastar as cidades, a espalhar bombas pelos campos […] esta guerra foi um veneno que se infiltrou nos pulmões”.

Comentário: 4/5

Apresentação de "Elegia para um Americano" na Fnac Chiado




A Fnac Chiado será palco da apresentação do livro "Elegia para um Americano", da escritora Siri Hustvedt.
O lançamento terá lugar no dia 2 de Junho, às 18h30. Relativamente à apresentação, esta estará a cargo de Pedro Mexia. Infelizmente para os fãs, a autora, Siri Hustvedt, vai estar em Lisboa apenas para contactos com a imprensa de 31 de Maio a 2 de Junho.
Sobre o livro:
Um romance sobre pais e filhos, sobre a capacidade de ouvir e a opção de ignorar; a dor inerente ao acto de falar mas também ao silêncio; as ambiguidades da memória, a solidão, a doença e a redescoberta. No seu estilo delicado e comovente, Siri Hustvedt revela as mágoas secretas de uma família através de um extraordinário mosaico de segredos e histórias que reflectem a fragmentada natureza da identidade.