segunda-feira, 29 de junho de 2009

Jogos de sedução - Madeline Hunter

Título: Jogos de sedução
Autor: Madeline Hunter
Colecção: Romance
Preço: 15 €
Páginas: 304

Sinopse:
Ele conhece todos os segredos dela. Excepto um…
Numa sala repleta de convivas, os seus olhares cruzam-se com uma intensidade invulgar… mas os seus mundos vão colidir violentamente. Ela é Roselyn Longworth e, antes de a noite terminar, vai ser leiloada. Ele é Kyle Bradwell, o homem que lhe dará a conhecer o Inferno. Todavia, quando vence o leilão, Kyle trata Roselyn com uma delicadeza a que ela não está habituada desde que um escândalo familiar arruinou a sua reputação. E quando finalmente descobre o que o motivou a salvá-la do seu terrível passado, é já demasiado tarde: Roselyn está perdidamente apaixonada pelo homem que sabe os seus mais íntimos segredos. Agora, ele surpreende-a com um pedido de casamento – o primeiro passo num jogo de sedução que exigirá nada menos que a sua completa rendição…

A minha opinião
"Porque hás-de casar com uma mulher assim, sobre a qual o país inteiro fala?"
Devido a um erro do seu irmão Timothy, Roselyn vê-se na mais completa pobreza e desprezo por parte da sua classe. Devido ao seu orgulho, e sem querer recorrer ao marido da sua prima Alexia, Roselyn decide, por sua conta e risco, entregar-se ao pérfido Norbury, que após se ter aproveitado dela, a coloca em leilão numa das festas em que organiza. Kyle Bradwell acaba por fazer a licitação maior e, logo após a festa, coloca-a em liberdade, e entrega-a à sua família. No entanto, vão mantendo-se em contacto até que Kyle a pede em casamento. Sem muitas alternativas, Roselyn decide aceitar a proposta e põe definitivamente de lado a proposta do seu irmão Tim, que se encontra foragido, para se juntar a ele em Itália. Com Kyle, Roselyn vive uma intensa história de amor e desejo, em que a descoberta do sexo a faz cada vez mais feliz. No entanto, as trafulhices do irmão continuam a assombrar-lhe o casamento. Roselyn descobre que o seu marido é o principal credor de Tim, e que também ele perdeu muito dinheiro ao investir no banco do seu irmão. Mas Kyle não é único homem a quem Tim fez mal. Muitos outros homens, sobretudo Norbury, procuram justiça e desejam ver Tim na forca pelos erros que cometeu no passado… Jogos de sedução seduziu-me até ao último capítulo e fez-me colocar na minha lista de livros a adquirir o livro anterior de Madeline Hunter, As Regras da Sedução, que também já foi editado em Portugal. Pela sinopse, As Regras de Sedução está interligado com este segundo livro e conta mais pormenorizadamente os erros cometidos por Timothy.

Classificação: 4/5

sábado, 27 de junho de 2009

Fotobiografias do Século XX - Fernando Pessoa - Richard Zenith e Joaquim Vieira

Título: Fotobiografias do Século XX - Fernando Pessoa Autor: Joaquim Vieira e Richard Zenith
Editora: Círculo de Leitores
P.V.P.€ 35,00

A minha opinião
“Diz-se, por vezes que os quatro maiores poetas portugueses do século XX são Fernando Pessoa” assim começa a fotobiografia do, tal como Richard Zenith diz, o melhor poeta português.
Eu até ia mais longe e, tal como disse num post anterior, não apenas do século XX, mas de todos os tempos. Conheci Pessoa não muito cedo, apenas comecei a ler alguns poemas dele na adolescência, com mais ou menos 14 anos. Mas cada vez que leio o poeta e seus heterónimos surpreendo-me sempre e descubro coisas que não tinha visto anteriormente.
Antes de começar a ler esta fotobiografia já tinha começado a ler uma biografia do autor, “Fernando Pessoa - Vida , Personalidade e Génio de António Quadros. Ainda não terminei o livro anterior, mas a leitura da fotobiografia foi deveras aliciante. Muito bem documentada e ilustrada, é um excelente trabalho que recomendo para os fãs do poeta ou até para aqueles que gostariam de conhecer um pouco mais sobre Pessoa.
Não podia deixar de postar algumas das passagens da sua vida que mais me agradaram ler neste livro, apesar de já serem do conhecimento geral.

Fernando Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888, em Lisboa. O dia do seu nascimento ocorreu numa quarta-feira, pelas 15h30.
“No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu era feliz e ninguém estava morto.”
Do poema Aniversário, escrito em 13 de Junho de 1930. Filho de um casal que se dava bastante bem, cedo perdeu o pai (com cinco anos), o que fez com que o pequeno Pessoa e a sua família tivessem que abandonar a casa onde até ali viveu, situada no Largo de S. Carlos. Fernando Pessoa sempre recordaria o local com uma certa nostalgia e eternizá-lo-ia com o poema “Ó sino da minha aldeia”. O sino seria o da Igreja dos Mártires, no Chiado, a “aldeia”, o largo onde nascera, designado assim pela sua pacatez na altura.
Um ano após a morte do seu marido, a mãe de Pessoa casa-se novamente e parte para Durban com o pequeno Fernando. Em Durban, Pessoa não fez grandes amigos e tinha nos irmãos mais novos, Henriqueta e Luís, os seus cúmplices de brincadeiras. A irmã relembra: “éramos as personagens de uma história continuamente inventada por ele”. Segundo Zenith esta era “uma espécie de heteronímia às avessas, portanto, com pessoas reais transfiguradas em personagens fictícias”. Apesar de ter sido um aluno bem sucedido em Durban, Pessoa sonhava em regressar ao seu país e é aí que ingressa no Curso de Letras. No entanto, pouco mais de um ano, fica desiludido com a mentalidade demasiado convencional dos seus colegas e começa a demonstrar o desejo de ir para Inglaterra, caso conseguisse arranjar dinheiro. “Apesar de ler e escrever bem em português, Pessoa continuou a fazer poemas e contos em inglês, por causa da falta de modelos, por falta de leitura da sua língua materna. É preciso compreender que pessoa aprendia a fazer literatura por imitação. Imitara Dickens, Carlyle, Pope, Shakespeare e Shelley na adolescência, e mais tarde imitaria Cesário Verde”, continua Zenith.

Heterónimos
“Reduzido a um par de óculos, um chapéu, um bigode e uma gabardina, o corpo praticamente desapareceu. É como se Pessoa fosse, não um homem sem qualidade, mas um conjunto de qualidades sem homem”, diz Zenith.
O termo heterónimo aplica-se apenas aos três poetas que surgiram em 1914: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. A eles, Pessoa fez biografias, atitudes e estilos completamente diferentes. C. R. Anon e Alexander Search, segundo Zenith, podem ser denominados de pré-heterónimos. “Enquanto que os heterónimos representavam o que Pessoa não era, os dois alter-egos anglófonos representavam o que o jovem poeta assumidamente era quando surgiram. Para que finalidade? Para permitir que o autor falasse de sim sem falar de si”, diz.
Em 1915, Fernando Pessoa e demais companheiros de tertúlia, decidem criar a revista Orpheu, que saiu em fins de Março de 1915. Ao contrário do esperado, e apesar de largamente noticiada na imprensa, Orpheu foi alvo de troça de muitos: “Maluqueira literária”, “Os poetas do Orpheu e os alienistas” e “Orpheu nos infernos”, foram alguns dos títulos de artigos que saíram em vários jornais. “Os poetas eram apontados na rua e toda a gente falava do Orpheu. Deste modo, a revista comprada para ler ou para escarnecer, esgotou a sua tiragem de 450 exemplares. O segundo número saiu 3 meses depois, com uma tiragem de 600 exemplares e também esgotou”, relata Zenith. No número dois do Orpheu, mais de um terço da revista era preenchido por obras de Pessoa, muitas delas assinadas por Álvaro de Campos, o primeiro dos três heterónimos a ser revelado publicamente. As pequenas tensões existentes no grupo e o escândalo que alguns textos de Campos suscitaram na opinião pública, além das dificuldades económicas, fizeram com que o terceiro número nunca chegasse a ser publicado. O suicídio de Mário de Sá-Carneiro, em 1916, viria a unir novamente os companheiros, que começaram a publicar várias revistas sobre literatura: Exílio, Centauro e Portugal Futurista foram alguns dos títulos que apareceram.
Mas era nos cafés lisboetas que os amigos se juntavam para falar sobretudo sobre arte e literatura. Dos muitos cafés frequentados por Pessoa, apenas dois sobreviveram até aos nossos dias: A Brasileira do Chiado, fundado em 1905, e o Martinho da Arcada, em 1782.
Apesar de ter «nascido» a 16 de Abril de 1889, Alberto Caeiro apenas «apareceu» a Pessoa a 8 de Março de 1914, surgindo a história do «dia triunfal» dado que Caeiro, escreveu, de um jacto e «numa espécie de êxtase», mais de 30 poemas de “O Guardador de Rebanhos”. Richard Zenith refere que o nome Caeiro poderá ter surgido como uma homenagem ao melhor amigo de Pessoa, Mário de Sá-Carneiro. “O nome Caeiro é Carneiro sem carne, dado a um pasto cujas ovelhas foram espiritualizadas em pensamentos. Sá-Carneiro suicidou-se poucas semanas antes de completar 26 anos e Alberto Caeiro, segundo a sua «biografia» também morreu jovem, com 26 anos, de tuberculose”.
Álvaro de Campos nasceu em Tavira em 1890, estudou engenharia naval em Glasgow, viajou pelo oriente, viveu alguns anos em Inglaterra até que se fixou em Lisboa. “Enquanto os seus colegas heteronímicos viveram uma existência secreta durante mais de uma década, só sendo publicamente revelados em 1924 (Reis) e 1925 (Caeiro), Álvaro de Campos teve uma projecção mediática quase imediata”, diz Zenith.
Ricardo Reis, médico e neoclassicista, nasceu em 1887 no Porto e era monárquico. Por isso mesmo teve de se exilar no Brasil, onde terá vivido o resto dos seus dias. Sobre a sua mudança Pessoa disse: “é uma morte parcial; morre qualquer coisa em nós” e “e assim mudar para melhor, porque mudar é mau, é sempre mudar para pior”.
Definido por Pessoa como um semi-heterónimo surge Bernardo Soares, guarda-livros, cujo lugar de trabalho correspondia ao mesmo local para onde o poeta redigia cartas nos anos 20 e 30. Sobre a sua personalidade disse: «não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela». Sobre as críticas feitas aos seus heterónimos Pessoa desabafou: «E contudo – penso-o com tristeza – pus no Caeiro todo o meu poder de despersonalização dramática, pus em Ricardo Reis toda a minha disciplina mental, vestida da música que lhe é própria, pus em Álvaro de Campos toda a emoção que não dou nem a mim nem à vida. Pensar, meu querido Casais Monteiro, que todos estes têm de ser, na prática da publicação, preteridos pelo Fernando Pessoa, impuro e simples!»

Família e Ofélia Queirós
Pessoa não era um homem muito chegado à família. Quando as tias mais chegadas faleceram, o poeta passou a viver sozinho mudando constantemente de residência, sempre localizada entre os bairros da Estefânia e dos Anjos. Contudo, Pessoa chegou a queixar-se de dificuldades económicas e de não ter ninguém a quem recorrer, embora a miséria nunca lhe tivesse batido à porta. A culpa de nunca ter dinheiro era o tempo que Pessoa queria dedicar à escrita, o que fazia com que recusa-se trabalhos a tempo inteiro. Foi num desses trabalhos que Pessoa conheceu Ofélia Queirós. Em Novembro de 1919, quando Ofélia respondia a um anúncio (e seria admitida) na empresa para a qual trabalhava o poeta trabalhava, começou uma troca de olhares entre os dois, que resultaria em namoro. Pessoa declarou o seu amor citando Hamlet, mas mudava constantemente de humores: tanto era afectivo, como indiferente, pelo que Ofélia lhe pediu uma declaração por escrito sobre as suas intenções. É nessa altura que começa a troca de correspondência entre os dois. Foi nas palavras de Ofélia “um namoro simples”, porque Pessoa nunca quis conhecer a família dela nem nunca a apresentou à sua. Mas guardou todas as suas cartas e mesmo os bilhetinhos mais insignificantes.

Morte
No início de 1933, com 44 anos, Pessoa parecia mais velho que a sua real idade. Para o seu envelhecimento precoce poderá ter contribuído os grandes momentos de solidão. Bebia e fumava muito. Por isso mesmo, era acometido por crises hepáticas ou pancreáticas. Em Setembro de 1935 uma crise mais forte abateu-o e a 19 de Novembro escreveu o seu último poema em português. Oito dias depois, 27 de Novembro, sofreu mais uma crise, precisamente no dia em que se comemorava o aniversário da sua irmã. Estranhando o facto de Pessoa não comparecer ao evento, o cunhado foi procurá-lo no dia seguinte. Pessoa parecia ter melhorado um pouco, mas a 29 de Novembro ficou internado no Hospital de São Luís dos Franceses, no Bairro Alto. Nesse dia escreve as suas últimas palavras “I know not what tomorrow will bring” (não sei o que trará o amanhã) com mão segura e letra firme, dotando a frase e sublinhando a data duas vezes. “O amanhã trouxe-lhe a morte, talvez devido a uma pancreatite aguda, entre as 20 e as 21 horas”. A 2 de Dezembro foi enterrado no Cemitério dos Prazeres. “Como legado à humanidade de
ixara na Rua Coelho da Rocha, n.º 16, uma despretensiosa arca de madeira que continha milhares de originais dactilografados ou manuscritos em cadernos, agendas, papel de escritório onde trabalhara, papel de cafés que frequentava, folhas volantes, facturas ou impressos, envelopes e pedaços de papel rasgado –na sua grande maioria inéditos”, diz Zenith. A notícia da sua morte, porém, apenas sairia nos jornais três dias depois. Tendo morrido no fim de sábado, 30 de Novembro e não se publicando jornais no domingo à tarde nem na manhã de segunda-feira, por ter sido feriado na véspera, a ocorrência da morte de pessoa só foi anunciada após o funeral que reuniu 50 pessoas. O Diário de Notícias publicaria, na 1.ª página, uma notícia intitulada: “Morreu Fernando Pessoa, grande poeta de Portugal”, e outros jornais deram também notícias da sua morte em páginas interiores. Após analisados todos os documentos da arca que Pessoa deixara é que o poeta viria a ser conhecido totalmente, corria o ano de 1990. “Viemos a saber que, ao longo da vida e desde a infância, Pessoa inventara não 3, nem 10, nem 30 personagens-escritores, mas mais de 70”, diz Zenith. “É uma drama em gente, em vez de em actos”, explicou Pessoa num texto publicado em 1928. “No jazigo da sua avó Dionísia, no cemitério ocidental de Lisboa, o Grande Poeta esperava por nascer. Aguardava não só que as suas obras fossem devidamente publicadas, mas também que o tempo passasse, trazendo a próxima geração de leitores, mais susceptível de apreender o seu génio – que nunca poderia ser plenamente apreciado pelos seus coetâneos, segundo as teorias sobre a imortalidade”, continua o autor da fotobiografia. O centenário de Pessoa foi celebrado por uma profusão de iniciativas em Portugal e além-fronteiras, mas a coroa da glória do rei-poeta foi a trasladação dos seus restos mortais para o Mosteiro dos Jerónimos. «Cada vez mais perto do mito, cada vez menos perto de mim» - Álvaro de Campos vaticinava o futuro. Hoje a poesia e prosa de Pessoa é publicada em todos os continentes e em cerca de 40 línguas.

Classificação: 5/5

terça-feira, 23 de junho de 2009

Wook oferece portes do livro "No teu deserto" de Miguel Sousa Tavares

O novo livro de Miguel Sousa Tavares, "No Teu Deserto", já está disponível para venda na WOOK.
Durante o período de pré-lançamento, a Wook está a oferecer os portes de envio.
As primeiras encomendas recebem ainda o livro autografado pelo autor.

O livro estará disponível para envio a partir do próximo dia 7 de Julho.

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 128
Editor: Oficina do Livro



Excertos
"Éramos donos do que víamos: até onde o olhar alcançava, era tudo nosso. E tínhamos um deserto inteiro para olhar."
"Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma."
"Parecia-me que já tínhamos vivido um bocado de vida imenso e tão forte que era só nosso e nós mesmos não falávamos disso, mas sentíamo-lo em silêncio: era como se o segredo que guardávamos fosse a própria partilha dessa sensação. E que qualquer frase, qualquer palavra, se arriscaria a quebrar esse sortilégio."
"Eu sei que ela se lembra, sei que foi feliz então, como eu fui. Mas deve achar que eu me esqueci, que me fechei no meu silêncio, que me zanguei com o seu último desaparecimento, que vivo amuado com ela, desde então. Não é verdade, Cláudia. Vê como eu me lembro, vê se não foram assim, passo por passo, aqueles quatro dias que demorámos até chegar juntos ao deserto."

Novidades da ASA para Julho

Título: Meio Sol Amarelo
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Págs.: 544
Preço: 17,00 €

Com uma elegância apenas ao alcance dos grandes escritores, Chimamanda Ngozi Adichie entrelaça as vidas de cinco personagens inesquecíveis: Ugwu, um humilde criado de treze anos a quem o mundo se desvendará pela mão do seu senhor, Odenigbo, que, na intimidade da sua casa, planeia uma revolução. Este jovem professor universitário mantém uma relação apaixonada e sensual com a bela e mágica Olanna, cuja irmã gémea, Kainene, é alvo do amor desesperado de Richard, um jovem inglês a braços com o seu papel de homem branco em África.
Todos eles vão ser forçados a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição. Todos eles vão assistir ao desmoronar da realidade tal como a conheciam devido a uma guerra que tudo transformará irremediavelmente. Vencedor do Orange Prize 2007

Título: A Arte de Amar
Autora: Elisabeth Edmondson
Págs.: 400
Preço: 15,00 €

Escândalo, romance e intrigas familiares pela mão da autora do bestseller Uma Villa em Itália.
Polly Smith está a tentar sobreviver enquanto artista quando Oliver, seu amigo e mecenas, a convida a ir para casa do pai no Sul de França. Entusiasmada por poder fugir do frio e da chuva de Londres e do noivo monótono, Polly pede a sua certidão de nascimento para poder requerer um passaporte. Mas é aí que o seu mundo desaba: aquela que sempre pensou ser sua mãe é, na verdade, sua tia; a identidade do pai é desconhecida e até o seu próprio nome não está correcto.
A sua “fuga” para o sol da estimulante da Riviera imprime uma nova vida à sua pintura, mas nem tudo corre bem na mansão onde está hospedada. O pai de Oliver foi forçado a abandonar a Inglaterra no meio de um escândalo e, apesar do sofisticado e cosmopolita grupo de amigos que o rodeia, está prestes a ser apanhado pelo seu passado. E, embora Polly se encontre no centro de uma teia de mentiras, o seu próprio futuro começa a tomar um novo e fascinante rumo…

Título: Confissões ao Luar
Autora: Alice Hoffman
Págs.: 208
Preço: 13,50 €

Arlyn Singer acredita no destino e no poder dos sentimentos. Naquele que será um dos momentos mais determinantes da sua vida, Arlyn pressente a chegada do seu grande amor. Mas o destino parece pregar-lhe uma partida ao colocar o frio e calculista John Moody no seu caminho. John é o oposto da sonhadora Arlyn. Contudo, a paixão entre ambos é arrebatadora e o casamento inevitável. A vida encarregar-se-á de os levar, a eles e aos seus filhos, a uma casa de vidro no campo, no Connecticut, mas também aos arranha-céus de Manhattan e às águas azuis do estreito de Long Island, sempre em busca de unidade familiar e identidade.
Um caminho de perda e redenção que inclui Sam, o filho de ambos, um artista brilhante e explosivo; Blanca, a bela solitária que tenta desesperadamente proteger o irmão do seu destino e que vive a sua própria vida num mundo habitado por livros; e Will, o neto, a braços com uma família fragmentada, emocional e misteriosa que, afinal, nada sabe sobre o amor.

“Dilacerante e belo… Um dos melhores romances de Alice Hoffman.”
Kirkus Reviews

Título: O Cavalheiro do Gibão Amarelo
Autor: Arturo Pérez-Reverte
Págs.: 256
Preço: 10,00 €

A nova aventura do capitão Alatriste tem lugar nos vibrantes pátios de comédias da Madrid do século XVII. Cruzando-se com velhos amigos e velhos inimigos, e com as famosas personagens da época, como Lope de Vega, Calderón de la Barca e o capitão Alonso de Contreras, Diego Alatriste e Íñigo Balboa enfrentam uma perigosa conspiração na Corte de Filipe IV.

“O Caderno” de Saramago: o livro do blog

A 23 de Abril último, data em que se assinalou o Dia Mundial do Livro, José Saramago editava novo livro, “O Caderno”. Uma obra que reúne textos escritos entre Setembro de 2008 a Março de 2009 e que o escritor publicou no blog O Caderno de Saramago.
Agora, a Editorial Caminho, a Fundação José Saramago e o Sapo.pt estão a convidar para o lançamento dessa mesma obra, numa sessão em que o escritor vai conversar com Isabel Coutinho e José Mário Silva sobre meio ano de actividade do http://caderno.josesaramago.org/.
Será no próximo dia 25 de Junho às 18h30 no Tiara Park Hotel – sala Coimbra B, Rua Castilho, 149, em Lisboa.
A apresentação de “O Caderno” poderá ainda ser vista através do site sapo.pt, através do portal de acesso http//:vídeos.sapo.pt/saramago.
Para quem não conseguir estar presente, podem colocar questões ao escritor através do email pergunteasaramago@sapo.pt.
Outra alternativa é comparecer ao evento, levar o seu portátil e a partir de lá participar e interagir com os muitos leitores que José Saramago tem espalhados pelo mundo.

Sinopse:
Esta obra reúne o conjunto de textos diários balizados temporalmente entre Setembro de 2008 e Março de 2009. Representa as reflexões, as opiniões, as sugestões, críticas aos mais diversos assuntos e sobre as mais diversas questões. Será uma obra em construção que conta com os artigos diários de Saramago publicados na página infinita da Internet.

Excerto:
“Disseram-me que reservaram para mim um espaço no blog e que devo escrever para ele, o que for, comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice.”

domingo, 21 de junho de 2009

Memória de Tubarão - Steven Hall

Título: Memória de Tubarão
Autor: Steven Hall
Colecção: Lado B
P.V.P.: 22,00 €
N.º de edição: 1.ª
Data 1.ª edição: 19/05/2009

N.º de páginas: 436

Sinopse:
Um homem acorda num quarto desconhecido sem saber quem é. Depois encontra um documento, onde está um nome, uma fotografia. Uma carta ali deixada sugere-lhe que contacte uma psicóloga, que o ajudará a perceber a situação. A Dr.ª Randle informa-o então de que ele sofre de um choque traumático na sequência da morte da namorada ocorrida três anos antes, que se traduz por uma amnésia dissociativa, com surtos recorrentes em que perde cada vez mais memórias. Eric vai recebendo cartas do seu «eu» anterior até que um dia, diante do ecrã de televisão, é atacado por uma criatura poderosíssima que o arrasta para um tempestuoso mar negro... Memória de Tubarão é um livro cheio de surpresas, uma aventura delirantemente imaginativa, divertida e inteligente. Um thriller psicológico que tem sido considerado um grande feito literário, ao nível de Paul Auster ou Murakami, e comparável a filmes como Memento e The Matrix.

A minha opinião
E se um dia acordasse e não se lembrasse de nada, nem sequer do seu nome? Foi o que aconteceu com Eric Sanderson, que numa certa manhã quando acordou não sabia nada sobre si, onde estava, nada do seu passado. Até que encontra um papel com um nome e uma fotografia que identificou com a imagem de si próprio quando se viu ao espelho. Assume a identidade de Eric e sai em procura de uma psicóloga alimentando a esperança de que esta o possa ajudar a descobrir quem realmente é. E o livro resume-se às aventuras de Eric, que mais tarde assume a identidade de outra pessoa, Mark Richardson, em procura de respostas. Respostas sobre si, sobre o aconteceu consigo e com a sua namorada. Pelo caminho defronta ‘animais’ conceptuais que tentam sempre tornar-lhe esta caminhada mais difícil. Um deles é Ludovício, um tubarão que se alimenta da memória, sendo o mais agressivo dos tubarões conceptuais. Um livro arrepiante, cheio de aventuras e sem qualquer tipo de monotonia, mas que não me conquistou. O facto de não gostar deste género literário não ajudou a que mudasse de opinião. No entanto, dentro do género, para os amantes de Matrix entre outros, o livro poderá aliciar bem mais do que o fez comigo.

Classificação: 2/5

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Novidades da Bertrand para Junho

A partir de hoje estão disponíveis os seguintes livros sob a chancela da Bertrand:


Swing – Diário de Bordo
SW - Team
Uma viagem sincera e sem preconceitos ao universo das trocas de casais
Uma pesquisa pela palavra Swing num conhecido motor de busca na internet devolveu, em poucos segundos, 91.800.000 resultados. São muitas e muitas as fontes de informação sobre uma prática que, quer se aprove ou não, suscita sempre enorme curiosidade.
E é isso que este "Swing – Diário de Bordo", um documento inédito escrito por um casal português, pretende fazer. Além de relatarem abertamente todas as suas aventuras, desde a primeira experiência com outra pessoa à entrada num clube de swingers, os autores acabam por responder a muitas das questões que todos colocamos.
Qual o papel do ciúme? Quais os sentimentos do swinger? Quem toma a iniciativa? Como é que são os clubes de swing? Como é que os swingers se conhecem e se encontram?
Segundo este jovem casal, tudo começa com um simples anúncio que é colocado na internet e no qual o casal se apresenta. «Casal sem tabus, 25 (ela) e 28 (ele), procura pessoas divertidas, inteligentes e em boa forma que queiram partilhar bons momentos de prazer», refere o perfil dos autores do livro.
"Swing – Diário de Bordo" revela, enfim, tudo sobre o desconhecido mundo do swing, contado por um casal sem tabus que optou pela bigamia sexual associada à monogamia social e emocional. Fundamental para todas as pessoas, por mais comuns que se sintam, casais swingers, singles aventureiros, indivíduos curiosos, tipos preconceituosos e leitores duvidosos, Swing promete surpreender todos os leitores.

Sobre os autores
Casal que se ama, sem tabus. Um homem e uma mulher que gostam de se divertir e de conhecer gente interessante, inteligente e em boa forma. Unidos e muito cúmplices, não estão no swing para salvar o casamento, porque esse nunca esteve em risco. Estão no swing para apimentar a sua sexualidade e se divertirem, sendo frequentadores de alguns dos mais conceituados clubes swingers nacionais. Criativos, acreditam na bigamia sexual associada à monogamia social e emocional e adoram viver a vida em toda a sua plenitude, aproveitando todos os momentos bons que esta nos dá.

120 Páginas
PVP: 13,50 €

Quando Parti Numa Manhã de Verão
Laurie Lee


Autobiografia que se lê como uma fábula, "Quando Parti Numa Manhã de Verão" conta a história de uma rica e exuberante viagem do próprio autor por terras de Sua Majestade e depois por Espanha.
Trata-se de um relato sobre um rapaz que diz adeus à sua família, vai buscar o seu violino e sai de casa, a pé, com o objectivo de conhecer o mundo.
Em 1934, Laurie Lee deixa a casa da sua infância e parte para Londres, em busca do seu destino. Aí, sobrevive com a música do seu violino e um trabalho na construção. Daqui, e conhecendo apenas uma expressão em castelhano, decide partir para Espanha, onde vai encontrar um país à beira da guerra civil.
"Quando Parti Numa Manhã de Verão" foi escrito trinta anos mais tarde. No livro, Laurie Lee recupera todo o ambiente da Espanha que conheceu, com a frescura e a beleza de um olhar jovem, criando um retrato lírico e lúcido de um país belo e violento que nunca mais haveria de o abandonar.
Tal como o seu célebre romance "Cider with Rosie", de 1959, um relato autêntico da sua juventude, "Quando Parti Numa Manhã de Verão" revela-se, sobretudo, uma vibrante odisseia cuja descrição evidencia uma apreensão sensual do mundo natural, característica presente nos seus volumes de poesia.
Sobre ele disse o Daily Mail, «uma história vívida, sensível e de leitura irresistível. Um clássico da literatura de viagens».

Sobre Laurie Lee
Laurie Lee nasceu em 1914 e passou a infância em Slad, Inglaterra. Aos 20 anos mudou-se para Londres e, mais tarde, partiu numa viagem de quatro anos, a pé, por Espanha e pelo Mediterrâneo, tocando violino para sobreviver. Em Dezembro de 1937, juntou-se às Brigadas Internacionais para combater contra Franco na Guerra Civil de Espanha.
Parte dessas experiências é retratada em Q"uando Parti Numa Tarde de Verão". Antes de se ter dedicado inteiramente à escrita, foi jornalista, guionista e documentarista. A poesia era a sua grande paixão, mas foram sobretudo os seus escritos autobiográficos que lhe trouxeram o êxito internacional. No início dos anos 60, regressou com a mulher a Slad, para viverem na casa da sua infância, e lá permaneceu até à sua morte, em 1997.

Opiniões:
"Uma obra literária de grande beleza."
The Observer
"Um livro maravilhoso."
The World of Books, BBC
"Uma agradável prosa pelo punho de um distinto poeta."
Publishers Weekly
"Recorrendo à arte de trabalhar a palavra que desenvolveu como poeta, Lee evoca magistralmente o ambiente e a tensão da Europa nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. A narrativa de Lee é como aninharmo-nos no colo do nosso avô a ouvir as suas histórias de como foi atacado por lobos, perseguido pela Polícia, romanceado pelo idealismo e seduzido pela beleza. Recomendação máxima."
Library Journal
"A história vívida, sensível e de leitura irresistível do que aconteceu quando saiu de casa."
Daily Mail

204 Páginas
PVP: 17,90 €


A História de Edgar Sawtelle
David Wroblewski


"A História de Edgar Sawtelle" está condenado a ser um best-seller, disse a Publishers Weekly. Autores consagrados, leitores e críticos literários são unânimes na avaliação da obra: trata-se de um romance inesquecível.
O enredo é inusitado, a linguagem é lírica, as evocações são fortes e quase poéticas, mas A História de Edgar Sawtelle é muito mais do que a perfeita união de tudo isto.
Para Stephen King «nunca houve um livro como "A História de Edgar Sawtelle"». Há também quem o considere uma adaptação de Hamlet, só que na vida de um menino mudo no interior dos EUA. Edgar Sawtelle vive com a família numa quinta remota em Wisconsin e, apesar da deficiência, é feliz. Há gerações que os Sawtelle criam uma carinhosa raça de cão, ilustrada na perfeição por Almodine, a companheira de sempre de Edgar.
É com ela e com mais 2 cães que Edgar foge após a tentativa falhada de provar o envolvimento do tio na morte do pai, uma morte repentina e em circunstâncias misteriosas em que ele acaba por culpar-se a si próprio por não ter podido gritar por socorro. Na sequência desse facto e destroçado pelo romance desesperado da mãe com o tio paterno, o seu mundo muda para sempre quando, certa noite de Primavera, Edgar vê o fantasma do pai. É então que decide partir. Três cães são a sua única companhia e alento. Porém, o amor à mãe e aos animais, e a vontade de vingança, levam-no de regresso a casa. Só que nada é como ele esperava e Edgar terá de se decidir entre a vingança ou a preservação do legado da família.

Sobre David Wroblewski
David Wroblewski cresceu no Wisconsin rural, não muito longe do Parque Nacional Chequamegon, que serve de cenário a A História de Edgar Sawtelle. Obteve o mestrado no Warren Wilson MFA Program for Writers. Actualmente vive no Colorado com a mulher, a escritora Kimberly McClintock. A História de Edgar Sawtelle é o seu primeiro romance.

Opiniões:
“A leitura obrigatória deste Verão.”
People Magazine
“Inesquecível.”
Washington Post Book World
“Um misto de thriller literário com bestseller.”
Publishers Weekly

512 Páginas
PVP: 19,95 €

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O menino que não gostava de ler - Susanna Tamaro

Título: O menino que não gostava de ler

Autora: Susanna Tamaro
Editora: Editorial Presença
Colecção: Arca do Tesouro
P.V.P.: 8,00 €
Data 1.ª Edição: 07/12/2000
N.º de Edição: 10.ª
N.º de Páginas: 48
A minha opinião:
Este livro faz parte de um conjunto de livros infantis que adquiri para oferecer a um menino que, pura e simplesmente, diz que não gosta de ler. Isto porque ele considera que jogar no computador ou consola é muito mais divertido e animado.
Decidi então, que nestas férias escolares, o vou tentar incentivar e cativar a ler. Vou-lhe propor um desafio e espero que no final esta aventura dê frutos positivos…
Fiquei com alguma curiosidade relativamente ao livro de Susanna Tammaro. No dia do seu 8.º aniversário, os pais de Leopoldo voltaram a oferecer-lhe livros, quando o menino tinha pedido um par de sapatilhas de prenda. Indignado, o menino perguntou aos pais, amantes da leitura, porque é que é importante ler? Mas, as respostas apresentadas pelos pais não foram suficientemente convincentes para Leopoldo mudar de ideia e então, o menino decidiu fugir de casa…
Trata-se de uma história simples e ternurenta que com certeza faz as delícias dos mais novos… pelo menos, daqueles que gostam de ler. E as ilustrações que acompanham a história são muito giras.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Novidades da Editorial Presença para a 2.ª quinzena de Junho


O gosto amargo da traição
Saskia Noort

P.V.P.: 14,00 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição: 1.ª
N.º de Páginas: 224
Colecção: Grandes Narrativas
N.º na Colecção: 435

Sinopse:
Quando o marido de uma das suas amigas morre num incêndio, Karen van de Made, pouco convencida com a teoria de suicídio unanimemente aceite, começa a aperceber-se de que no seu círculo de amigos impera um complexo enredo de segredos e mentiras e que todos estão dispostos a manter as aparências a qualquer custo. Envolvendo-se cada vez mais, é obrigada a confrontar-se com a verdade por detrás do estilo de vida luxuoso que todos ostentam - e com o facto de que também ela poderá constituir um alvo. Com um estilo ágil e vigoroso, Saskia Noort oferece-nos um retrato irrepreensível da alta sociedade holandesa num romance repleto de suspense e sensualidade.

Love Life - De Coração Aberto
Ray Kluun


P.V.P.: 18,00 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição:
N.º de Páginas: 376
Colecção: Vidas d´Escritas
N.º na Colecção: 1

Sinopse:
Dan e Carmen eram um casal feliz a viver uma vida despreocupada quando o diagnóstico de cancro da mama vem abalar as suas vidas. Revoltado com a crueza do destino e as limitações que daí para a frente marcarão o seu dia-a-dia, Dan reage recusando-se a abdicar de tudo e iniciando uma vida dupla: durante a semana acompanha a mulher aos tratamentos e aos fins-de-semana entrega-se ao álcool e ao sexo fortuito. Love Life - De Coração Aberto é um relato duro e sem concessões, que não deixará ninguém indiferente, de um homem dividido entre a lealdade à mulher e o desejo de viver a vida ao máximo.

Os Ficheiros Spellman
Lisa Lutz


P.V.P.:
18,00 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição: 1.ª
N.º de Páginas: 360
Colecção: Lado B
N.º na Colecção: 2

Sinopse:
Bem-vindo ao mundo da família Spellman. Eles são divertidos, muito unidos, calorosos e extremamente competentes e dedicados ao seu trabalho. Bom, talvez um bocadinho dedicados de mais… Donos de uma agência de investigação privada que emprega quase todos os membros da família, desenterrar os segredos das vidas alheias é a coisa mais natural no seu dia-a-dia. O pior é quando já não conseguem separar o trabalho da vida pessoal…Os Ficheiros Spellman é ao mesmo tempo uma comédia hilariante e enternecedora e um manual sobre como levar a família à loucura… tudo por amor.

A Minha Voz Pela Liberdade
Ani Chöying Drolma


P.V.P.: 13,50 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição:
N.º de Páginas: 192
Colecção: Novo Milénio
N.º na Colecção: 15

Sinopse:
Esta obra autobiográfica é o testemunho extraordinário de Ani Chöying Drolma, uma monja budista nepalesa que tem consagrado a sua vida a salvar dezenas de jovens suas compatriotas de um destino dramático à mercê da tirania dos pais e maridos. Ela própria vítima de maus tratos familiares, cedo decidiu enveredar pela via religiosa como forma de se libertar e de poder ajudar os outros. Adoptou dezenas de crianças e construiu uma escola para lhes proporcionar educação. A excepcionalidade dos seus dotes vocais financiou os seus projectos e catapultou-a para o estrelato internacional. A sua voz atravessa fronteiras, sempre ao serviço da liberdade das jovens nepalesas.

A Economia não Mente
Guy Sorman


P.V.P.: 18,00 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição:
N.º de Páginas: 336
Colecção: Sociedade Global
N.º na Colecção: 34

Sinopse:
Guy Sorman é um defensor convicto do liberalismo económico e dos seus benefícios para a humanidade. Necessariamente polémico, este é um dos melhores livros deste economista. Sem nunca perder de vista o lado prático, apresenta ao leitor casos concretos recolhidos pelo mundo, desde os Estados Unidos, África, a Índia e a China, o Brasil e outros países da América Latina, sem esquecer a União Europeia, os países de Leste e o Japão. Numa linguagem acessível e leitura aprazível, Sorman adverte que o mercado globalizado, fruto da inovação incessante e do espírito de empreendimento, comporta, no entanto, um certo grau de imperfeição. O autor formula ainda dez teses de amplo consenso, que demonstram a passagem da economia a ciência exacta, um facto que o autor considera uma verdadeira revolução no paradigma do pensamento actual. A presente edição inclui um novo capítulo de actualização.

O Segundo Mundo
Parag Khanna

P.V.P.:
22,00 €
Data 1ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição:
N.º de Páginas: 416
Colecção: Biblioteca do Século
N.º na Colecção: 28

Sinopse:
Para Khanna, conceituado especialista em política global, propõe uma teoria original capaz de explicar as complexas dinâmicas que estão a regular a política global neste início do século XXI. Segundo ele, o mercado geopolítico é dominado pelo que ele designa como «os três impérios», três superpotências do Primeiro Mundo, os EUA, a Europa e a China que competem agora entre si para atrair para a sua órbita os países que se enquadram no conceito de «Segundo Mundo», regiões estratégicas situadas na Europa de Leste, na Ásia Central, no Médio e Extremo Oriente e na América Latina. Para as três superpotências, controlar os recursos energéticos e naturais, assim como os governos dessas nações, será decisivo no decorrer dos próximos anos. Um livro notável na linha de obras como O Choque das Civilizações e a Mudança na Ordem Mundial, de Samuel P. Huntington e O Fim da Civilização e o Último Homem, de Francis Fukuyama.


Já Fui um Rato!
Philip Pullman

P.V.P.: 8,00 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição: 1.ª
N.º de Páginas: 176
Colecção: Estrela do Mar
N.º na Colecção: 123

Sinopse:
Quando Joan e Bob decidem acolher em sua casa um rapazinho que lhes bate à porta, mal sabem eles os sarilhos em que se vão meter. Roger é à primeira vista um rapaz igual aos outros, apenas com uma ligeira diferença: está convencido de que outrora foi um rato, ou pior, uma ratazana. Em pouco tempo, espalha-se a notícia de que há um rapaz-ratazana a viver na cidade e aí… bem, aí é que Roger estará mesmo em maus lençóis! Se quiseres descobrir se Roger foi mesmo um rato, então não percas este livro e diverte-te com as suas aventuras hilariantes.


A Minha Casa Assombrada
Angie Sage

P.V.P.: 7,50 €
Data 1.ª Edição: 16/06/2009
N.º de Edição:
N.º de Páginas: 134
Colecção: Araminta Spookie
N.º na Colecção: 1

Sinopse:
Araminta Spookie nem quer acreditar que a Tia Tabby vai pôr à venda a maravilhosa casa assombrada onde vivem! Como poderá ficar sem os seus queridos morcegos, os fantasmas brancos e esvoaçantes que a encantam ou todas aquelas aranhas gordas e peludas de que tanto gosta? É então que tem uma ideia absolutamente fantástica - uma Emboscada Terrível que afugentará até os compradores mais destemidos! Mas será que vai resultar? Vem conhecer a incrível Araminta Spookie e divertir-te com esta história supercómica!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Love Life – De Coração Aberto, de Ray Kluun

Título: Love Life - de Coração Aberto
Autor: Ray Kluun
Edição/reimpressão: 2009
Editor: Editorial Presença
Colecção: Vidas D'escritas
Número da colecção: 1
Classificação: Romance

Sinopse:
«Sou um hedonista com monofobia grave.» É assim que Dan, o protagonista deste romance semiautobiográfico, se descreve logo nas primeiras páginas, sem hesitações nem margem para dúvidas. Uma descrição que pouco teria de chocante e extraordinário não fosse o facto de este livro tratar da batalha da mulher de Dan, Carmen, com um cancro da mama. Jovens, bem-sucedidos e com uma filha prestes a completar um ano, Dan e Carmen eram um casal feliz a viver uma vida despreocupada antes de o diagnóstico os atingir. Mas, revoltado com a crueza do destino e as limitações que daí para a frente marcarão o seu dia-a-dia, Dan recusa-se a abdicar de tudo e inicia uma vida dupla: durante a semana acompanha a mulher aos tratamentos e aos fins-de-semana entrega-se ao álcool e ao sexo fortuito. Love life – De coração aberto é um relato duro e sem concessões, que não deixará ninguém indiferente, de um homem dividido entre a lealdade à mulher e o desejo de viver a vida ao máximo, Honesto, tocante e polémico, confronta os leitores com a pergunta a que ninguém quer responder: quando a vida dá uma volta de 180 graus, estamos sempre à altura do desafio?

Ray Kluun
Ray Kluun nasceu em 1964 e trabalhou durante bastantes anos em publicidade. Em 2001 a sua mulher morreu de cancro e algum tempo depois Ray foi viver com a filha para a Austrália, onde escreveu Love Life – De Coração Aberto. Esta sua estreia literária tornou-se um dos maiores fenómenos na Holanda, com mais de 500 000 exemplares vendidos, direitos adquiridos por 27 territórios e mais de 70 semanas passadas nas listas de bestsellers e um prémio atribuído pelo público (NS Publiek Prize). Love Life – De Coração Aberto é uma obra que toca pela sensibilidade e verosimilhança. Semiautobiográfico, tem a assinatura do publicitário Raymond van de Klundert que viu a sua mulher de 36 anos morrer com cancro. Kluun levou então a filha Eva, que tinha três anos na altura, para a Austrália, onde escreveu Love Life. Uma obra que desarma os corações mais resistentes.

A minha opinião:
Surpreendente, arrepiante, comovente, chocante, hilariante, realista, tocante… é fascinante como Ray Kluun consegue reunir todos estes ingredientes neste seu livro semiautobiográfico.
Um livro que aborda temas geradores de polémica, como a eutanásia, a infidelidade e de uma doença que, infelizmente, hoje em dia parece proliferar no mundo a olhos vistos, o cancro.
Dan e Carmen formavam um casal que vivia feliz. Tinham bons empregos, uma filha adorável e o dinheiro não era problema. Mas, como se costuma dizer “o dinheiro não é tudo” e o dinheiro não é, muitas vezes, sinónimo de felicidade.
Devido a uma análise médica errada, efectuada meses antes, quando Carmen descobre que tinha cancro da mama, as suas possibilidades de sobrevivência foram reduzidas logo para 40%.
A operação não era a solução mais viável no imediato. Por isso, começam os tratamentos de quimioterapia e depois, radioterapia para tentar reduzir o tamanho do tumor alojado no seu seio. Ray kluun descreve-nos, e por vezes de forma fria, todos os passos atravessados neste processo, como a queda de cabelo, as náuseas e vómitos, a falta de auto-estima e o sofrimento vivido pelo doente e por todos os que o acompanham. Segue-se a ablação do seio de Carmen... o seu corpo muda, a sua postura muda, a sua relação com Dan sofre cada vez mais alterações.
Mas Carmen revela-se uma mulher forte, determinada, lutadora e não desiste da luta.
A seu lado tem Dan que sofre de monofobia*. Quando descobre a doença da mulher, a sua rotina altera-se e o seu lado boémio vem ao de cima. Dan começa a arranjar cada vez mais desculpas para fazer as suas noitadas, até que surge Rose… esta não foi uma aventura apenas de uma noite.
Quando tudo previa que o estado de saúde de Carmen estava em franca melhoria, surge a machadada final… uma metástase no fígado e outras mais estavam a surgir.
Nova derrocada naquela família e, desta vez, as possibilidades da mulher de Dan recuperar eram nulas.
A partir daqui a história desenrola-se em torno dos momentos finais da vida de Carmen. As consequências desta doença nefasta, os tratamentos para minorar a dor, a despedida dos amigos, marido e filha, a eutanásia… tudo é descrito ao pormenor pelo autor.
Sabendo tratar-se de uma obra semiautobiográfica, à medida que a leitura vai avançando, vamo-nos questionando sobre os aspectos que serão realmente autobiográficos. Serão as constantes traições? Será a força que Carmen demonstra na luta contra a doença? Será, apesar da vida dupla, o apoio constante do marido a Carmen? Trata-se de um livro que nos consegue colocar num minuto a rir e, no minuto seguinte de leitura, revoltados ou chocados. Uma história que nos mostra que o lema “Carpe Diem” deve ser levado a sério por todos nós.
Para as pessoas que padecem desta doença e se submetem aos seus tratamentos, Carmen revela-se um exemplo de coragem e determinação, na forma como encara as coisas. Por outro lado, e apesar da sua monofobia, Dan revela-se um exemplo de força ao acompanhar Carmen nesta sua batalha.
O único senão que aponto neste livro é a utilização excessiva por parte do autor de “samplescritos”**.
Gostei muito deste livro e recomendo-o vivamente. No entanto, para pessoas mais sensíveis e que facilmente se emocionam, recomendo-o com alguma cautela tendo em conta a forma como o cancro, os seus tratamentos e a eutanásia são abordados e descritos…
No caso das cenas mais fortes e marcantes da obra terem acontecido na realidade, acredito que este foi certamente um livro escrito de “coração aberto”…

Classificação: 5/5

* Monofobia - medo mórbido de uma vida (sexualmente) monogâmica que conduz a uma necessidade compulsiva de praticar a infidelidade.

** Samplescrito – fragmento de música ou texto inserido numa passagem textual. Cf. V. samplescrever. Variante do que é conhecido na música denominada hip-hop e house como um sample: fragmento de música previamente gravado por terceiros, que é usado enquanto componente de uma nova composição musical.

Excerto:
“A Carmen diz que quer deixar bem claro que deve ser ela própria a decidir se e quando vai pôr fim à doença. Fala como se estivesse a discutir a candidatura a um emprego. Como se precisasse de convencer alguém das suas qualificações.”

O silêncio dos teus olhos - Hugo Girão

Título: O silêncio dos teus olhos
Autor: Hugo Girão
Edição: Janeiro 2009
Páginas:111
Editor: Fronteira do Caos
Preço: 11.90 euros

Dim: 15,00 cm x 22,00 cm

Sinopse:

O Silêncio dos Teus Olhos é uma homenagem às mulheres e um hino à vida.
Um livro intimista e de grande intensidade, em que o autor explora com elegância e mestria, sentimentos e sensações que nos encantam, comovem e fazem pensar.

O silêncio dos teus olhos... Os teus olhos, que eu tanto admirava, não falavam comigo….
– “Sabes... Tenho saudades daqueles tempos em que as palavras não precisavam de ensaio... Tanto tempo perdido em guerras que agora não importam absolutamente nada... Eu tinha tanta coisa para te dizer... Tu não me ouvias... Eu não te queria ouvir porque dizias tanta coisa da boca para fora... Quando falavas daquele modo abrias feridas incuráveis. Nenhum de nós tinha razão... Agora apenas oiço o barulho destas malditas máquinas que te mantêm com vida... Agora apenas consigo ouvir o som do teu silêncio...
Gostaria de ouvir a tua voz, nem que fosse para... Somente gostaria de voltar a ouvir a tua voz!”
Sentei-me ao teu lado e agarrei a tua mão à espera de uma resposta...

A minha opinião

Hugo Girão, com a sua escrita poética, transporta-nos para o dia-a-dia de um jovem casal, que já não encontra qualquer forma de comunicar. Até que um novo ser entra nas vidas deles: Fernando sabe que a sua esposa está grávida. No entanto, a gravidez não chega ao fim e novamente a vida deste jovem casal entra num drama, que muito a custo se vai desvanecendo. Até que Fernando sabe da notícia de que vai ser pai novamente. Com algumas complicações na gravidez, a sua esposa passa muito tempo no hospital. A angústia de a perder, o sentimento de impotência assola Fernando… Um livro dramático que vivencia as angústias e também a monotonia por que passam alguns casais.


Excerto:
"Até tu chegares não havia caminho, nem sequer havia uma pequena luz ao fundo do túnel".

Sobre o autor:
Iniciando a sua carreira há cerca de cinco anos, Hugo Girão tem três livros, os dois últimos editados pela Fronteira do Caos.
O autor poderá ainda ser acompnhado pelo blogue pessoal http://hugoagirao.blogspot.com

Obras:
- O rei e o homem que já tinha sido- Papiro Editora- 2006
- O Silêncio das Almas- Fronteira do Caos- em co-autoria com Isabel Fontes- 2007
- O Silêncio dos teus Olhos- Fronteira do Caos- 2009

Classificação: 2/5

quinta-feira, 11 de junho de 2009

De Alma e Coração - Maeve Binchy

Título: De Alma e Coração
Autor: Maeve Binchy
Editor: Bertrand Editora
Colecção: Grandes Romances
Edição/reimpressão: 2009
N.º de páginas: 368
P.V.P: 18,50 €

Sinopse:
Clara Casey tem muito com que se ocupar. A sua filha Adi vive numa eterna luta contra ou a favor de alguma causa: o ambiente, as baleias ou a criação de animais ao ar livre. Linda, a outra filha, experimenta uma sequência de relações falhadas. Além disso, Clara tem vindo a receber uma indesejada atenção por parte do ex-marido e confiaram-lhe a inglória tarefa de montar uma clínica com escassos fundos.Não tarda contudo a que aquela clínica se torne um elemento essencial da comunidade, trazendo para o local novas pessoas, com as suas histórias e os seus sonhos. Com a astúcia, o humor e a compaixão a que nos habituou, Maeve Binchy traz-nos uma história de família, amigos, médicos e pacientes - todos eles parte de uma comunidade num momento de transição.

A minha opinião:
A criação de uma clínica de cardiologia dá o mote para este livro de Maeve Binchy.
Clara Casey foi indicada como médica responsável para reformular um armazém abandonado pertencente ao Hospital de St. Brigid. Terá que enfrentar o administrador do hospital, Frank Ennis, que preferia ter vendido o espaço. No entanto, Clara Casey consegue criar um espaço agradável, acolhedor e, no decorrer das obras de reestruturação e requalificação do espaço, começa a contactar com aqueles que serão depois os funcionários da clínica. A primeira é Ania, uma rapariga polaca que fugia do seu passado e queria ganhar dinheiro para enviar para a mãe. Ania é considerada uma “mulher dos sete ofícios”, sempre disponível para ajudar e fazer qualquer coisa. Seguem-se as enfermeiras Bárbara e Fiona, o médico-cardiologista Declan Carrol, a assistente Hilary, o segurança Tim, e muitos outros que foram dando vida, ritmo e dinamismo a uma clínica que rapidamente se tornou conhecida e passou a ser muito frequentada. Ali, os pacientes e respectivas famílias, eram tratados de forma carinhosa, como se fossem membros da família.
Entretanto, Clara Casey tem que conciliar tudo o que se vai passando na clínica de cardiologia, com a gestão de sua casa. Compreender e aceitar os comportamentos distintos das suas duas filhas, revela-se tarefa árdua. A mais velha, Linda, vive subjugada às lutas e ideais defendidos pelo namorado. Por outro lado, Adi, não consegue encontrar um rumo para a sua vida e vive à custa da mãe. A juntar-se às filhas, tem que enfrentar o marido Alan aliás, ex-marido, muito embora ainda não lhe tivesse assinado os papéis do divórcio.
A forma como a autora vai inserindo novas personagens no enredo, sem que de alguma forma, abrande o ritmo da história, é simplesmente fabuloso. Sucedem-se assim, várias histórias e casos dentro do contexto principal da narrativa. A clínica de cardiologia acaba por se tornar o ponto de encontro de várias pessoas, onde estas narram, trocam e partilham experiências de vida.
O facto de surgirem muitas personagens ao longo da história, não a torna de todo maçadora, muito pelo contrário. Maeve Binchy consegue prender o leitor, descrevendo a Alma e o Coração de cada uma dessas personagens.
A cada novo caso, um novo final… uma nova surpresa no livro. Finais esses, realistas sem muitas “florzinhas” e adornos… e que nos fazem realmente pensar!

Classificação: 4/5

Um menino diferente - Maria João Lopo de Carvalho

Título: Um Menino Diferente
Autor: Maria João Lopo de Carvalho
Nº Págs.: 48
PVP: 10,50€

Diferente, igual a tantos outros

Ilustrado por J.C. Cintra Costa, Um Menino Diferente conta a história de Afonso, uma criança especial que, apesar de aprender a ler com facilidade e encontrar coisas, aparentemente, impossíveis de descobrir, se depara com sérias dificuldades na prática das mais simples acções como lavar a cabeça, utilizar o computador ou, lamentavelmente, mimar o seu cão.

A minha opinião
Um livro para crianças e adultos que ainda vêm na diferença uma coisa a evitar. Sabe-se que as crianças são muitos cruéis e que na escola, quando vêm alguém um bocadinho diferente a si, tendem a evitá-lo e a discriminá-lo. Mas também tudo parte da educação que se dá em casa. Porque um menino diferente é sempre um menino especial, que pode não saber fazer as coisas mais básicas e elementares, mas que sabe fazer outras melhores ainda do que qualquer outra criança. Afonso é um desses meninos. Nasceu diferente, diz a mãe. Nasceu especial, diz o pai. Um menino que conquistou todos os que o rodeavam com a sua facilidade para ler, e para encontrar coisas. De destacar as ilustrações fantásticas do livro, que ajudam a enriquecer ainda mais esta obra.

Os direitos de autor do livro de Maria João Lopo de Carvalho revertem para a associação de solidariedade social Ajuda de Berço.


Excerto
“ – Eu não te disse que o Afonso era diferente?! – afirmava a mãe, orgulhosa, durante a cerimónia. - Não – respondia o pai baixinho -, eu sempre te disse que o nosso filho não era diferente, era especial, um menino que nasce com os olhos nos dedos é um menino especial!”

Classificação: 5/5

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Não sei nada sobre o amor - Júlia Pinheiro

Título: Não sei nada sobre o amor

Autor: Júlia Pinheiro
Editora:
Esfera dos Livros
Data da primeira edição: Abril de 2009
N.º de páginas: 345
P.V.P.: 17 €

Sinopse:
Quando desceu ao riacho, mantilha na cabeça e coração aos pulos, Maria da Glória não sonhava que aquele encontro fortuito com o macho da aldeia iria marcar para sempre a sua vida. Esperava sair dali com namoro anunciado e quem sabe até com casamento marcado. Saiu à pressa, com a roupa ensanguentada, as tripas viradas e a semente de Maria da Purificação na barriga. Estava lançado o destino das mulheres desta família na qual as palavras prazer, carinho, paixão e amor permanecerão para sempre um mistério. A apresentadora de televisão Júlia Pinheiro estreia-se na escrita com uma história surpreendente e apaixonante sobre quatro mulheres que nada sabem sobre o amor. Ao longo destas páginas não suspiramos de amor, não nos empolgamos com casos de paixão arrebatadora, nem choramos com casamentos felizes. Somos levados numa saga familiar que se inicia nos anos 30 onde os sentimentos eram um infortúnio e o prazer uma pouca-vergonha. Não Sei Nada sobre o Amor traça o retrato de uma sociedade e de um país ao longo de quase 70 anos de história, através do olhar de Maria Glória, a avó, Maria da Purificação, a filha divorciada, Ana Clara, a neta mãe solteira, e Benedita, a bisneta, que, apesar de todas as expectativas, não se casa com nenhum príncipe encantado.

A minha opinião:
Maria da Glória, Maria da Purificação, Ana Clara e Benedita… Quatro gerações, quatro mulheres diferentes, quatro personalidades diferentes, quatro mentalidades distintas e fortemente vincadas pelas tradições, hábitos e costumes referentes à época em que viveram.
No seu primeiro romance (sim, porque parece que já está outro na forja), Júlia Pinheiro através de uma linguagem rica e rigorosa, descreve-nos as aventuras e desventuras vividas por estas quatro mulheres, nomeadamente, no campo amoroso. Por muitas experiências que tenham vivido em termos amorosos, nunca se mostram agradadas e consideram sempre que não foi aquilo que idealizaram para si. Mas essa indefinição e insatisfação afectiva surge mesmo no seio familiar, em que, entre si não conseguem transmitir o que sentem e demonstrar o mínimo de afecto e amor. Este aspecto verifica-se essencialmente na relação entre Maria da Glória e Maria da Purificação.
Maria da Glória sujeita-se a um casamento, arranjado por um padre, para esconder algo do seu passado. Teve a felicidade de encontrar em Ernesto um homem que sempre a amou e que assumiu a paternidade de Maria da Purificação, mesmo sabendo que ela não era sua filha. Mas ela nunca o conseguiu amar. De ideias tradicionalistas e bem vincadas, Maria da Glória revela-se uma crítica acérrima de todas as transformações que a Mulher começou a assumir na sociedade portuguesa a partir da década de 30. E, apesar de ser contra, teve que começar a enfrentar essas alterações com a sua filha, quer na sua forma de agir e vestir, quer no seu envolvimento político e na decisão de se divorciar.
Segue-se a neta Ana Clara que, depois de ver a sua família desfragmentar-se, envolveu-se com um homem casado e acabou grávida de Benedita.
Por sua vez, a bisneta de Maria da Glória, iniciou a sua vida sexual aos 14 anos com um colega do colégio e foi o primeiro de vários relacionamentos sem paixão ou sentimento. E, ao contrário do que pretendia a sua avó paterna, também não casou com nenhum príncipe romano...

No fundo, este romance retrata um pouco a evolução, o (des)envolvimento, o crescimento e o papel da Mulher no nosso país desde a década de 30. E tudo isto é feito de forma descritiva, quer no que diz respeito a aspectos e pormenores sociais, culturais e políticos.

Admiro a Júlia Pinheiro enquanto profissional de comunicação. Sei que há muitas pessoas que não gostam dela.
Decidi arriscar e comprar este livro um pouco por impulso e não tanto pela sinopse em si. Não me arrependo nada de o ter feito. Gostei e fico a aguardar pelo seu novo livro…

Classificação: 4/5

Epílogo:
«Maria da Glória morreu no final do ano de 1999, quase à beira do novo milénio. Tinha 84 anos, viveu para o dever e para a culpa. Teve uma filha, um marido e um único orgasmo. A bisneta com apenas 15 anos já lhe levava um avanço considerável. Ana Clara continua a viver sozinha na Estrela e é professora catedrática. Purificação decidiu deixar Portugal e vive no Brasil com o viúvo dos supermercados. Benedita não casou com um príncipe romano.»

13 gotas ao deitar - Alice Vieira, Catarina Fonseca, Rosa Lobato de Faria, Luísa Beltrão, Rita Ferro, Leonor Xavier

Título: 13 Gotas ao Deitar
Autoras: Alice Vieira, Catarina Fonseca, Rosa Lobato de Faria, Luísa Beltrão, Rita Ferro, Leonor Xavier
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 202
Editor: Oficina do Livro
Preço: 14 €
1.ª Edição

Sinopse
Quando seis autoras se juntam para escrever uma história, o resultado é um romance alucinante, onde não faltam mulheres e homens, doenças raras, médicos de índole suspeita, polícias e muito mistério, tudo servido em doses de humor irreverente.

A história, nascida da imaginação de seis mulheres, promete personagens e uma prosa bem viva… apesar das mortes que vão ocorrendo, como é bom de ver. Este romance constitui um divertimento para as seis escritoras que se encontraram (reencontraram, num caso ou noutro) pelo prazer de dar largas à imaginação e escrever, cada uma, dois capítulos do livro. Quantas mulheres existem na cabeça de Maria Marina Silveira Figueiroa?
Marina, que às vezes é Odete, outras dá pelo nome de Maria Eduarda e ainda responde como Francisca, é surpreendida por um telefonema do banco: tem uma dívida ao IRS e a sua conta bancária está penhorada. Desesperada e sem dinheiro, decide recorrer ao amante de Maria Eduarda, Lourenço, inspector da Polícia Judiciária, que, às tantas, deixa de atender o telemóvel e de responder às mensagens. Quando menos espera, a notícia cai como uma bomba: Lourenço é encontrado morto.
Maria Eduarda é detida por suspeita de homicídio e, quando tudo parecia resolver-se, Henrique, o namorado de Marina é assassinado. Acto contínuo, os dias de Maria Marina são passados na Judiciária e é aí, entre um interrogatório e outro, que conhece D. Querida Flor Cerqueira e se apaixona por Couto Pinto. E o verdadeiro mistério começa então a desenhar-se...

Comentário
À semelhança de O Código d’Avintes, Os Novos Mistérios de Sintra e Eça Agora, não podia resistir a este livro escrito por seis mulheres, algumas delas integrantes das três obras indicadas acima. Desta feita, Luísa Beltrão, Rosa Lobato de Faria e Alice Vieira os homens de parte (Mário Zambujal, José Jorge Letria, João Aguiar, José Fanha) e partiram à aventura deste livro que conta a história de Maria Marina, uma mulher que sofre de personalidade múltipla, uma doença ainda bastante desconhecida. Por coincidência, li sobre a doença muito recentemente na revista Sábado e fiquei surpreendida. Eu própria também nunca tinha ouvido falar de uma doença que traz muitos problemas aos seus portadores, mas também à família que tem de estar bem preparada para a enfrentar. Maria Marina é muitas mulheres numa só. Tanto é Eduarda, como Francisca, como Odete. Em comum apenas partilham o corpo, já que de personalidade são mulheres bastante diferentes. Pelo caminho conhecem muitos homens e passam por muitas aventuras. Mas aventura maior é quando Eduarda é acusada da morte do seu namorado/amante Lourenço inspector da Polícia Judiciária. Eduarda em corpo de Marina enfrenta as acusações sem se conseguir defender, quando, de seguida, é acusada de uma outra morte: a do seu namorado Henrique. Mas é aí que conhece o inspector Couto Pinto e tudo começa a resolver-se. Apaixonam-se e casam-se e o novo inspector desvenda o mistério das mortes… Não posso dizer que este livro que me surpreendeu porque já estava à espera da intriga e do mistério que estes livros escritos por várias pessoas me têm proporcionado. Mas é um livro que se lê num ápice, e a pensar já no seguinte. Aquando da tertúlia sobre blogues promovida pela Porto Editora e da qual fiz parte, conheci Rosa Lobato de Faria e no jantar perguntei-lhe o óbvio: como é que se consegue fazer um livro com tanta gente… e tantas mulheres? A autora respondeu que só se consegue porque são todas boas amigas, embora os gritos de discussão que por vezes tinham numa sala da editora fez com que um colega lhes batesse à porta e perguntasse o que se estava a passar já que a história era tão empolgante que só poderia resultar nesta animada discussão, digo eu. Pelo menos uma coisa é certa: o segundo livro já está a ser escrito. Para os amantes deste género de literatura é uma óptima notícia. Venham mais.

Excertos
"Perdera os três homens que alguma vez amara. Mas toda a gente parecia insensível a esse facto. Afinal, a Querida não tem coração. Tem um corpo do tamanho do Entroncamento, uma voz do tamanho da feira da Malveira, uns pés do tamanho da linha do Tua não desactivada.

Mas coração é que não. Coração é que não."

Sobre personalidade múltipla
Segundo o site da Infopedia, a personalidade múltipla é uma patologia da personalidade que se encontra fragmentada em duas ou mais personalidades, que são distintas e que possuem controlo total do comportamento do sujeito.

Os primeiros apontamentos sobre esta temática surgiram por volta de 1816 e, posteriormente, através dos casos com o pseudónimo "Juliette" apresentado pelo psicólogo clínico francês Pierre Janet e com o pseudónimo "Christine Beauchamp" descrito na obra The Dissociation of Personality (Dissociação da Personalidade , 1906) da autoria do escritor americano Morton Prince.
Ao longo da nossa vida assumimos vários desempenhos (pai, avô, professor, Investigador, etc.), a personalidade múltipla que é um caso de comportamento dissociado acontece quando tais desempenhos perdem o contacto uns com os outros ou quando uma personalidade secundária vem complementar aquilo que nos falta.
É importante comentar que uma personalidade secundária ou escondida pode, muitas vezes, ser a mais "normal", a mais ajustada e a mais saudável das personalidades.
Um estado de fuga pode ser longo (durante largos meses ou até mesmo anos) ou curto (apenas um episódio de algumas horas ou de um dia), mas quando a pessoa regressa à sua normalidade, retomando o que deixou para trás, nunca se recorda do sucedido durante a fuga.

Classificação: 4/5

terça-feira, 9 de junho de 2009

Uma Longa Viagem com José Saramago - João Céu e Silva

Título: Uma Longa Viagem com José Saramago
Autor:
João Céu e Silva
N.º Págs.: 416
PVP: 19 €


Sinopse

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura em 1998, é certamente o escritor português mais traduzido, e mais lido, no estrangeiro. E, no entanto, talvez não seja tão profundamente conhecido no seu próprio país como seria de esperar. Portugal reconhece-o pelos livros que escreveu e que surpreenderam muitos milhares de leitores, mas desconhece-o porventura em muito da sua intimidade e até do seu pensamento. Durante as dezenas de horas de conversas sem tabus de que resultou Uma Longa Viagem com José Saramago, procurou-se ir além de algumas verdades feitas sobre o autor que reinterpreta o Evangelho, que optou pelo exílio ou que profetiza a inevitabilidade da União Ibérica.
As respostas de José Saramago foram analisadas por vinte e quatro outros entrevistados, que comentam as suas declarações e a sua prática da escrita, tudo isto num cenário de reportagem dos lugares por onde a sua vida passou e de investigação e análise da sua obra.
Há palavras nunca ditas e outras reditas sob o olhar da actualidade. Sem reticências, como compete a quem durante tão grande conversa começou e acabou um novo livro, e a meio achou que não teria mais vida para terminar o desafio de se revelar num diálogo pouco habitual por tão extenso.
Uma Longa Viagem com José Saramago, da autoria de João Céu e Silva, é o resultado de dezenas de horas de conversas, realizadas ao longo de dois anos, e tendo como cenários o Bairro do Arco do Cego, Azinhaga, Mafra e Lavre, sem esquecer Lanzarote. Um livro escrito ao ritmo de uma entrevista em discurso directo, como deve ser quando se procura desvendar o outro lado de um escritor lido por muitos milhares de leitores. Nesta grande conversa, José Saramago liberta-se de todas as amarras e responde a todas as questões colocadas por João Céu e Silva, mesmo as que entram na esfera mais pessoal do escritor. O seu percurso literário, as suas opiniões sobre Portugal e o mundo, o seu relacionamento com Pilar Del Río, tudo foi falado, tudo está registado neste livro. Não menos interessante é o facto de todas essas respostas serem comentadas por 24 personalidades, todas elas com presença marcante na vida de José Saramago, como Zeferino Coelho, José Carlos Vasconcelos, José-Augusto França e a própria Pilar del Río.

A minha opinião
Parti para a leitura deste livro com algumas reservas. Primeiro porque, apesar de gostar bastante de biografias, a de José Saramago nunca me atraiu por aí além. Gosto de alguns livros do autor como o Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis (este um dos melhores livros que li até agora) e ainda aguardam leitura alguns como A Viagem do Elefante, Todos os Nomes (que comecei, mas não consegui continuar) e uns quantos outros, que estão na minha estante à espera de vez. Mas José Saramago enquanto “personagem” principal nunca me atraiu sobretudo porque a imagem que tinha, e digo tinha porque mudei um pouco a minha opinião, era de uma pessoa antipática, reservada, de poucas palavras. Muitas vezes esqueço-me que tenho muitas destas atitudes de Saramago. A timidez confunde-se muitas vezes com a antipatia. Ao fim de lidas 416 páginas posso dizer que o livro me surpreendeu. Se bem que não posso deixar de fazer alguns reparos à forma como o autor João Céu e Silva conduziu as entrevistas, sobretudo aquelas que fez com Saramago. Logicamente que Saramago é uma pessoa com um cariz político acentuado, mas o livro torna-se um pouco maçador (poderá ser para mim que não aprecio a temática) porque incidiu muito sobre a política mundial. Mas o problema maior não é só esse. As perguntas políticas, por exemplo, estão bastante dispersas. Tudo bem que o autor dividiu as entrevistas que fez a Saramago, mas poderia ter juntado as entrevistas numa só e organizá-las de uma outra forma. O mesmo acontece quando fala dos livros com o autor. Dou como exemplo o livro O Ensaio sobre a Cegueira que é falado a meio do livro e que depois é retomado no final do livro quando conversam sobre A Viagem do Elefante. No entanto não posso deixar de realçar as entrevistas que o autor efectuou para elaborar este livro, algumas delas bastante surpreendentes. Destaco ainda o discurso na íntegra que Saramago proferiu aquando do Prémio Nobel que me emocionou bastante, principalmente a parte em que realça a importância dos avós para o seu enriquecimento enquanto pessoa.

Excertos e apontamentos
Não poderia deixar de realçar alguns (muitos) dos excertos que me cativaram ao longo da “viagem”.
Sobre O Homem Duplicado - surge ao espelho a ideia do outro. “Para mim o outro existe, sou eu próprio”. Nascida essa ideia passou a ser necessário articular uma história com personagem. Ensaio sobre a cegueira – nasceu num restaurante na Varina da Madragoa. Pensou “e se nós fossemos cegos? E imediatamente dei a resposta à pergunta: mas nós estamos todos cegos!” O Ano da Morte de Ricardo Reis foi em Berlim, num quarto de hotel. “A ideia é aquela coisinha que se diz em 4 palavras. Depois há que fazer a história”. Nunca foi uma pessoa ambiciosa. Nunca fez nenhum projecto de carreira. “A prova de que eu não tinha projectos para chegar a ser um escritor é que só aos 58 anos é que procurei ser.”
Após a publicação do 1.º livro – Terra do Pecado – “Que deveria chamar-se A Viúva”, em 1947, esteve praticamente 19 anos praticamente sem escrever.
Quando publicou Levantado do Chão, aos 58 anos. “Digamos que aos 58 anos eu tinha escrito uns quantos livros mas não era um escritor”.
O episódio em que Saramago relata como soube que tinha ganho o Prémio Nobel é extraordinário em que conta que soube da notícia no aeroporto de Frankfurt, quando regressava a casa.
“As circunstâncias quiseram que eu tivesse sido serralheiro mecânico”.
O autor relata como decorreu a primeira entrevista com Saramago, que decorreu na sala de estar da casa do Arco do Cego, tendo Saramago descido 20 minutos após a chegada de João Céu e Silva. Não interrompeu a conversa durante 5 horas e deu respostas que se prolongaram por 20 minutos.
“Acho que a terra ainda não soube agarrar a imagem do Saramago e projectar-se”. - Vítor Manuel da Guia, Presidente da Junta de Freguesia de Azinhaga do Ribatejo.
O autor falou ainda com padre Carreira Neves, que recolheu todas as achas possíveis de encontrar para sacrificar José Saramago devido ao livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, obra que o fez abandonar Portugal e passar a viver em Lanzarote. Carreira Neves diz que a parte que o mais impressionou no livro foi “quando Jesus está no lago Tiberíades e há aqueles diálogos entre Deus, Jesus e o Diabo. Como criatividade literária foi o que mais me impressionou! Não me fere nada que haja amores entre Jesus e Maria Madalena porque é um romance”.
Saramago revela que tem o hábito de escrever ao fim da tarde, entre as cinco e as nove. “Eu escrevo só duas páginas por dia, não escrevo mais, mesmo que tenha possibilidade de continuar”.
Questionado sobre se sente em Lanzarote inspiração para escrever como se estivesse em qualquer lugar Saramago responde que “isso da inspiração para escrever é uma fábula”.
Mais à frente adianta que não aceita que os seus livros sejam “traduzidos” no Brasil. “A língua é minha, o sotaque é meu”.
“Quando pegamos no livro novo e o abrimos, a gralha normalmente aparece imediatamente, é a primeira bofetada que levamos”.
Sobre A Viagem do Elefante, José Saramago confessa que já tinha essa ideia há 4, 5 anos “mas achei-a tão difícil que a pus de parte. Disse não, vou-me meter numa carga de trabalhos…Mas passou o tempo e no princípio do ano passado perguntei-me: e se eu voltasse ao tema?”
Sobre a literatura de entretenimento Saramago diz que sempre existiu. “E além disso, às vezes, até necessária”, adiantando que um livro de entretenimento pode ser um bom livro. “Agora há outros por aí que não pensam senão em escrever 120 páginas e aí temos livros que quando os abrimos e se lê uma página ou duas é uma vacuidade total”.
“Mas às vezes há ideias boas que não têm futuro”.

Classificação: 4/5